Arquivo | 15-09-2004 03:07

O serralheiro que não quer ser patrão

O serralheiro que não quer ser patrão

A serralharia civil está no sangue de Bruno Balas. Lembra-se de, ainda pequeno, o pai, também serralheiro civil, o levar quando ia fazer algumas obras mais simples. Cresceu com o bichinho mas prefere trabalhar por conta de outrem que ser patrão de si mesmo.

Tomaria muita gente exercer a profissão com que sempre sonhou, mas na maioria das vezes isso não é possível. Não é o caso de Bruno Balas, o jovem de Limeiras (Vila Nova da Barquinha) que desde há cerca de três anos é serralheiro civil.Uma profissão que aprendeu a gostar desde tenra idade, quando o pai, também serralheiro, o levava muitas vezes para o trabalho. Quando terminou o nono ano de escolaridade o jovem decidiu deixar os livros de lado e apostar no trabalho prático.O primeiro emprego que arranjou foi numa empresa de metalomecânica situada na zona industrial de Tomar. “Comecei como ajudante de serralheiro e passado uns tempos percebi que dificilmente subiria de escalão se não me especializasse”, confidencia o jovem.Foi por isso que quando uns colegas lhe falaram do curso de serralheiro que ia iniciar-se no Centro de Formação Profissional de Tomar não hesitou um segundo para se inscrever. Durante 12 meses fez com as suas mãos o que via o pai fazer há anos atrás.E aprendeu muito, principalmente com o professor José Manuel, que dava as aulas práticas. O pai continua no entanto a ser a sua grande referência. Ainda hoje, quando tem em mãos um trabalho que implique algo de novo, é com ele que vai ter.“Peço-lhe sempre uma opinião sobre como fazer esta ou aquela peça porque sei que apesar do curso ter sido óptimo o mais importante é a experiência. E essa só se ganha ao longo do tempo”, garante o jovem.Quando se lhe pergunta o que se faz numa serralharia civil a resposta sai rápida e lacónica – “faz-se tudo com ferro e inox”. Tudo quer dizer estruturas metálicas, portas, grades, gradeamentos, corrimões, protecções para máquinas.Na Metalguia, empresa onde hoje trabalha, o que Bruno mais faz são protecções para diversas máquinas. “Trabalhamos muito com algumas das maiores empresas da região, nomeadamente a Renova”, diz.Mas o que mais gosta de fazer são grades e corrimãos. Porque é um trabalho mais personalizado, que leva muitas vezes um cunho próprio. “Algumas vezes o cliente traz já um desenho daquilo que pretende, mas outras vezes somos nós que damos algumas sugestões”.Basicamente o trabalho de Bruno Balas divide-se em duas vertentes – cortar e soldar cada peça. Para isso necessita de um serrote mecânico e um aparelho de soldar. É um trabalho monótono, só compensado quando o trabalho exige alguma criatividade, como no caso dos corrimãos.Poder-se-ia pensar que o dia a dia do jovem serralheiro de 22 anos é passado entre a casa dos pais, onde reside, e a fábrica onde trabalha, ambas na localidade de Limeiras, concelho de Vila Nova da Barquinha. Afinal, entra ao trabalho às oito da manhã e só regressa por volta das 17 horas. Mas a verdade não é bem essa, porque há que dar assistência aos clientes.Bruno diz mesmo que as horas extraordinárias que faz são geralmente passadas nas fábricas dos clientes. “Às vezes sabe bem sairmos daqui”, confidencia o jovem que chegou também a tirar o curso de electricista, por curiosidade. “O que eu gosto é mesmo da serralharia”.Mesmo que chegue algumas vezes a casa com os olhos vermelhos e inchados. É que apesar de usar sempre os óculos protectores, basta uma limalha ficar numa pestana para se intrometer no olho mais tarde e causar dores muito fortes. “É como se tivéssemos a vista a arder”.O jovem serralheiro é adepto ferrenho da segurança no trabalho e nunca dispensa as botas de biqueira de aço – não vá uma barra de ferro escapar-lhe das mãos – e as luvas, além claro da protecção para os olhos. “Hoje em dia a segurança no trabalho é fundamental, por isso não me esqueço nunca destes apetrechos”, refere.Em termos profissionais as perspectivas de Bruno são simples – acabar os seus dias de trabalhador como serralheiro civil. Mas não como patrão. “Prefiro trabalhar por conta de outrem do que para mim próprio”, diz quem acredita que a vida não está fácil para quem tem empresas, principalmente quando são pequenas. Pelo menos, enquanto trabalhar bem, sabe que terá emprego na área. E ordenado fixo ao fim do mês…Margarida Cabeleira

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