Arquivo | 16-02-2005 16:20

A ruptura com o fado da cantora viajante

A ruptura com o fado da cantora viajante

Cristina Branco apresentou o seu novo trabalho, “Ulisses”, no Teatro Sá da Bandeira, em Santarém. Um disco onde assume a sua ruptura com o fado e evidencia a sua vertente de viajante.

Foi uma Cristina Branco simples e discreta que apareceu perante a atenta plateia do Teatro Sá da Bandeira, em Santarém, na quinta-feira, 10 de Fevereiro, na apresentação do mais recente trabalho discográfico. “Ulisses” é o sétimo disco da cantora de Almeirim, num ano em que esse número está presente em quase todos os aspectos da sua vida artística.“Ulisses” que evoca as viagens, as trajectórias da própria artista, é o sétimo trabalho, numa altura em que comemora sete anos de carreira. Sete é também o número de espectáculos que vai fazer em Portugal. A digressão começa dia 21 em Coimbra, com um espectáculo no Teatro Gil Vicente. A voz melodiosa e plástica de Cristina Branco vai passar ainda por Lisboa (26 de Fevereiro), Aveiro (3 de Março), Tavira (4), Vila Nova de Famalicão (9) e Porto (11 e 12 de Março).De calças de ganga, blusa preta e com um grande à vontade, a cantora começou por interpretar o tema “Navio Triste”, escrito de propósito por Vitorino para este trabalho. A informalidade devia-se ao facto de Cristina estar a actuar em directo para um programa de rádio, o “Vivá Música”, da Antena 1, apesar de haver assistência. Durante o espectáculo, a cantora foi várias vezes até à ponta do palco, como se quisesse tocar mais de perto o público. A plateia, constituída na sua maioria por pessoas com mais de 40 anos, mas onde também havia alguns jovens, vibrou com a cristalina voz da artista. “Gaivota”, o fado celebrizado por Amália, é o único tema que se aproxima deste género musical. Nos outros sobressai a capacidade da cantora e do seu companheiro, Custódio Castelo, que a acompanha à guitarra, de inovar, de introduzir novas cambiantes musicais. Neste trabalho sobressai o piano, presente no palco do Sá da Bandeira. Mas também é notória a ruptura com o fado. “Desta vez é assumido que não canto só fado. Canto o que me dá na gana”, disse Cristina Branco depois do espectáculo. Em cerca de 45 minutos a cantora conseguiu transmitir a emoção para a sala. As melodias, o caos e a harmonia que transmitem as canções deste trabalho… Aliás, este disco guarda as músicas preferidas da cantora.Os olhos fechados, o constante inclinar da cabeça para trás deram à assistência a sensação de estar perante uma Cristina que não se limita a cantar. Mas que vai atrás da música, que sente as letras. Tal como Custódio Castelo, que parecia uma extensão da guitarra. Ora se encolhia, ora se inclinava sobre o instrumento, enquanto dedilhava as cordas. “Ulisses” também realça essa reciprocidade, uma espécie de relação de amor. Para o programa de rádio “Vivá Música” a cantora não o disse, mas este disco é dedicado ao seu filho Martim, nascido há 17 meses. O motivo que a faz desejar estar perto de casa. Um dos grandes projectos para este ano está previsto para o Natal. Cristina Branco vai fazer um concerto com a Orquestra Sinfónica de Amesterdão durante o qual vai interpretar canções tradicionais portuguesas de Natal.

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