Arquivo | 01-09-2010 12:41

Câmara de Tomar avança com expropriação de terrenos na zona envolvente ao Convento de Cristo

Câmara de Tomar avança com expropriação de terrenos na zona envolvente ao Convento de Cristo
A Câmara Municipal de Tomar publicou o edital que desencadeia o processo de expropriação dos terrenos necessários às obras de requalificação e valorização na envolvente do Convento de Cristo, mas está confiante que o acordo com os proprietários vai ser conseguido, evitando assim entrar numa batalha judicial. “Publicámos o edital apenas por uma questão de cautela mas contamos que não vamos precisar de fazer expropriações porque vamos conseguir chegar a acordo com os proprietários”, disse a O MIRANTE, o presidente da autarquia, Corvêlo de Sousa (PSD). Em Julho, o executivo camarário aprovou requerer a “Declaração de Utilidade Pública urgente das parcelas de terreno”, conforme sugerido pela Divisão dos Serviços Jurídicos e Notoriado da autarquia. Os técnicos de topografia já se deslocaram aos terrenos, colocaram os marcos e a autarquia tenta agora a negociação junto dos proprietários.A obra está orçada em 3 milhões e 172 mil euros, sendo financiada pelo Quadro de Referência Estratégica Nacional no âmbito das Parcerias de Nova Regeneração Urbana (45%) e do Programa Rede de Mosteiros Património da Humanidade (65%). Prevê a melhoria dos acessos e condições de recepção, a construção de uma cafetaria e quiosque no terreiro D. Gualdim Pais e a valorização da ala norte com a construção de um parque de estacionamento para autocarros e automóveis. Fernando de Oliveira Leal, 82 anos, é o morador mais próximo do monumento classificado como Património Mundial da Humanidade. Vive há mais de 20 anos, desde que se reformou, numa casa localizada numa rampa, logo na primeira curva depois do Convento de Cristo. O morador considera que o projecto – de que teve conhecimento através do Boletim Municipal de Julho - está adequado à zona mas aguarda uma reunião com a autarquia para se inteirar realmente do que vai suceder com parte do seu quintal. “Há cerca de dois meses vieram colocar aí umas estacas azuis mas não podem cortar isto a direito senão fico sem serventia”, diz a O MIRANTE. O tomarense acredita que a autarquia não avança com as obras sem reunir primeiro com os seis proprietários e aguarda ainda a formalização de uma oferta pela parcela de terreno de que vai abdicar, com cerca de 88 metros quadrados. Corvêlo de Sousa não adianta uma data para o início da obra que vai mudar a face da envolvente do Convento de Cristo. Neste momento, os proprietários dos terrenos necessários para que a obra avance já receberam um ofício da câmara e esperam reunir em breve para se inteirarem da oferta feita pelo município. Que será de acordo com o preço indicado pelo perito que se deslocou ao terreno e que, ao que O MIRANTE apurou, totaliza o valor de 59.363 euros de indemnização a dividir por todos os proprietários, de acordo com a área do terreno que possuem. “Apoio as obras porque acho que são necessárias mas quero saber exactamente o que vão aqui fazer”, diz Fernando de Oliveira Leal revelando, no entanto, alguma apreensão com o facto de ainda não ter sido chamado a reunir com a autarquia. Outro facto com o qual se insurge tem a ver com a questão do projecto prever que o trânsito na estrada de acesso ao convento, e que vai ser alargada, se faça apenas no sentido ascendente. “É um disparate absoluto. Não concordo porque, desse modo, cada vez que tiver que ir à cidade tenho que dar a volta pela Venda da Gaita”, sublinha. O morador pretende ainda que lhe construam um muro de suporte de terras e que não mexam no poste de electricidade que está colocado no seu terreno.

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