Arquivo | 21-03-2012 10:31

Venturoso Serafim das Neves

Anda uma tempestade cerebral no executivo municipal do Entroncamento na demanda de um acontecimento que atraia gente à cidade para fazer compras. A vice-presidente, Paula Costa, confessou que por mais que esprema as meninges não lhe sai nada de jeito. O socialista Alexandre Zagalo confessou que ficou encantado com a Feira do Chocolate de Óbidos mas não se atreveu a propor uma feira do chupa-chupa ou do rebuçado, optando por sugerir desfiles de carnaval e festas de passagem de ano, coisas que, provavelmente por serem demasiado ousadas e originais, não mereceram a aprovação dos seus conservadores colegas de vereação. Os famosos fenómenos ainda vieram à baila mas toda a gente torceu o nariz, o que se compreende. Galinhas com dentes, ovelhas com cinco patas e cães que falam japonês sem nunca terem ido ao Japão, são coisas que atraem pouco público, ainda por cima num país intelectualmente avançado como o nosso. Eu também gostava de participar nesta pesca à boa ideia mesmo não tendo sido convidado mas estou como a senhora vice-presidente. Não me sai nada do bestunto. O Entroncamento auto-classificou-se como capital do comboio e o logótipo da câmara até é uma locomotiva a vapor mas fazer um concurso anual de pintar comboios está fora de causa porque a marca está registada pela Associação Nacional de Artes de Grafitagem e Ofícios Correlativos. O campeonato mundial de empurrar comboios também já se faz na Baviera, acho eu.Ainda me lembrei de propor um torneio nacional de praxes académicas com as melhores equipas de todas as universidades e politécnicos do país mas desisti. Doutores e engenheiros de capa e batina a torturar candidatos ao desemprego é algo que pode atrair povo e merecer a atenção das televisões mas há cidades que já abocanharam a ideia há que tempos. Tal como tu, deu-me para reflectir sobre os 1680 idosos que a GNR encontrou a viver sozinhos no distrito de Santarém e sobre os milagres que o “Astrólogo Grande Mestre Vidente”, que te deixou dois papelinhos publicitários no carro, poderia fazer por eles. Achas que esse grande mestre estará à altura de influenciar o aumento das pensões de reforma? Sabendo nós que o Viagra existe embora não seja comparticipado; que a oferta de carinho e amor ao domicílio está em alta; que as excursões do INATEL e daquelas empresas de venda de produtos para o lar têm sempre lugares vagos e que candidatos e candidatas a gestores da economia doméstica de pessoas sozinhas não faltam, bastaria um ataque de generosidade do Governo para que esses idosos fossem felizes. Eles e nós, pois claro. Já ouvi dizer que alguns curandeiros fazem milagres com uma pena de corvo arrancada do pássaro numa noite de lua cheia e uma nota de 500 euros. Um deles disse-me que era capaz de fazer com que o ministro Miguel Relvas tivesse um ataque de diarreia de cada vez que se preparasse para falar para as televisões. Até me dava como bónus o que ele chamava de “twin-shit”. De cada vez que doesse a barriga ao Relvas também doía a barriga ao presidente da Câmara de Santarém. Recusei veementemente. O país já está demasiado deprimido e triste para se dar ao luxo de perder dois animadores televisivos de tal gabarito.Saudações iluminadas Manuel Serra d’Aire

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