Arquivo | 04-01-2013 07:08

Investigadores portugueses estudam benefícios do mosquito da malária

Uma equipa de investigadores do IBMC (Instituto de Biologia Molecular Celular) do Porto, em parceria com colegas espanhóis e franceses, desvendou o mecanismo utilizado por mosquitos que transmitem malária para evitar a coagulação no sangue.Dado o seu tamanho relativamente reduzido e a especificidade dos contactos que estabelece com o seu alvo, os mosquitos da estirpe anopheles (que pertence ao vector da malária) podem servir de base para o desenho de fármacos sintéticos, administráveis por via oral e com efeitos secundários reduzidos, usados na prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares.Pedro Pereira, investigador principal da equipa que liderou o estudo no IBMC reconhece que "a molécula, designada anophelin, é admiravelmente pequena e muito simples, sendo bastante eficaz".A exploração de produtos desenhados pela natureza tem estado na mira da investigação farmacêutica como fonte de novos fármacos.Ana Figueiredo, primeira autora do trabalho, explica que "apesar de terem sempre o mesmo objectivo, impedir a coagulação, as características de cada molécula são muito específicas de cada grupo de animais e seguem estratégias diferentes".Pedro Pereira considera que a elegância na estratégia do mosquito da malária está no facto de as moléculas serem "muito pequenas e, portanto, mais fáceis de imitar por compostos concebidos artificialmente".Pedro Pereira explica que "a maioria dos hematófagos possuem moléculas anticoagulantes potencialmente interessantes para usos biomédicos", no entanto, desconhece-se a "forma como elas funcionam".A molécula, produzida pelo grupo de mosquitos ao qual pertence o vector da malária (género anopheles), já havia sido isolada e caracterizada por uma equipa norte americana que a sujeitou a patenteamento como anticoagulante.O trabalho foi publicado pela revista PNAS no final do ano e abre caminho ao desenho de novas moléculas sintéticas para o tratamento de problemas cardiovasculares.A autoria do trabalho pertence a várias equipas internacionais de onde se destacam, para além do IBMC, grupos da Universidade Pompeu Fabra, do Hospital de Sant Pau de Barcelona e do European Synchrotron Radiation Facility (Grenoble).

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