Arquivo | 14-01-2013 07:44

Caça é actividade de luxo que também sente os efeitos da crise

Em Portugal existem cerca de 120 mil caçadores e à volta de 20 mil praticantes da chamada caça grossa (javali, gamo, veado, corço ou muflão), uma “actividade de luxo” que também está a sentir os efeitos da crise.“Estamos a atravessar tempos difíceis” afirmou à agência Lusa Jacinto Amaro, presidente da Federação Portuguesa de Caça (FENCAÇA), organização criada há 20 anos.O responsável classificou a caça como um “produto de luxo”, dispendioso, e referiu que Portugal tem perdido cerca de “10 mil caçadores ao ano”.“Nos países que estão em dificuldades financeiras, um dos sectores que sofre bastante é o cinegético. Estamos a falar de um bem que é supérfluo. Todo o mundo passa bem se não caçar”, frisouSegundo dados da Fencaça, existem no país cerca de 120 mil caçadores, número que desceu dos 350 mil em alguns anos, enquanto os praticantes regulares da caça grossa rondarão os 20 mil. Em Portugal há quatro mil zonas de caça.Jacinto Amaro prevê que a caça, se nada for feito para diminuir o preço das licenças e a burocracia no acesso às licenças de uso e porte de arma, se transforme num “desporto de ricos” tal “como o golfe”.“Eu temo que qualquer dia sejam só mesmo 10 ou 15 mil que possam exercer a actividade devido às dificuldades criadas e à crise”, salientou.Depois de terminada a época de caça ao coelho, lebre ou perdiz, a 31 de Dezembro, realizam-se agora, entre Janeiro e Fevereiro e um pouco por todo o país, mais montarias ao javali.E os praticantes, segundo o responsável, estão dispostos a pagar bem, podendo o custo chegar até aos 200 ou 250 euros por posto (local onde o caçador terá que ficar à espera do animal).Mas, se se tratar de uma montaria mista (javali/veado ou javali/gamo) os valores cobrados podem ir dos 500 aos 1.500 euros.Depois há ainda os “cercons” (propriedades com centenas de hectares onde são criados animais para a caça), em que se pode pagar até aos 3.000 ou 3.500 euros.Ao preço da montaria, acrescenta-se também o custo das deslocações, dos combustíveis ou portagens, das estadias, das refeições e até dos equipamentos, como armas e munições.Jacinto Amaro salientou que são realizadas cada vez mais montarias em Portugal, acreditando que se façam entre três a quatro mil por ano.“Até pela escassez, em muitas regiões do país, de caça menor. Espécies como a lebre, o coelho e a perdiz praticamente desapareceram de algumas regiões, pelo que hoje as pessoas voltaram-se para a caça maior”, frisou.O nosso país já atrai alguns estrangeiros para o turismo cinegético, provenientes de Espanha, França ou Itália e essencialmente para a caça à perdiz ou montarias, mas trata-se de um número que não ultrapassa os mil.Espanha absorve muitos dos turistas. Segundo Jacinto Amaro, só a região de Castela-La Macha vendeu, em 2011, mais de 170 mil licenças a estrangeiros.O responsável elogiou o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, porque defendeu a necessidade de “dar uma especial atenção ao sector cinegético em Espanha, porque produz e exporta milhões de euros”.“Infelizmente, aqui em Portugal o nosso primeiro-ministro, Passos Coelho, nem se lembra que existe a caça”, lamentou.

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