Arquivo | 25-01-2013 08:52

Ministro da Defesa quer reduzir "custos com pessoal" militar

O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, revelou hoje estar a trabalhar na “racionalização e redimensionamento” de efectivos no sector militar, admitindo que o objectivo é reduzir os “custos com pessoal”.“Precisamos de um redimensionamento para que as Forças Armadas possam continuar a exercer as suas funções de forma mais equilibrada no que toca aos custos com pessoal”, afirmou o governante, em entrevista à televisão Porto Canal.Falando num “redimensionamento da estrutura das Forças Armadas do ponto de vista orgânico”, o ministro vincou que o objectivo é “que o gasto com pessoal seja menor do que aquele que hoje existe”.Aguiar-Branco não confirmou se pode estar em causa a não renovação de contratos a 12 mil militares, alertando que existe “uma lógica de formação”.Questionado sobre o corte de 200 milhões de euros no seu ministério, o governante disse estar “a trabalhar para a racionalização e o redimensionamento de efectivos”.Fonte militar disse na terça-feira à agência Lusa que o relatório de revisão do estatuto profissional já tinha sido entregue à tutela, com a indicação de que as carreiras estão "manifestamente desajustadas" e defendendo uma "redução dos custos com remunerações nos postos de topo".A Associação Nacional dos Sargentos (ANS) reagiu, afirmando que não pretende “ficar de braços caídos” perante a “destruição e desagregação das Forças Armadas”, acusando o Governo de “falta de respeito para com a lei e para com os cidadãos”.“Não aceitamos ser parte da comissão liquidatária das Forças Armadas, nem assistir a isto de braços caídos”, avisou António Lima Coelho, presidente da ANS, considerando que o processo “demonstra falta de sensibilidade e falta de respeito por aqueles que são o pilar da soberania nacional”.“Isto mostra falta de respeito por aqueles que, em última instância, dão a vida para que a Constituição seja respeitada e para que os cidadãos que estão a tomar estas medidas tenham os seus cargos e a sua liberdade de agir como agem”, sublinhou.O presidente da ANS observou que estão em causa “matérias demasiado sensíveis e perigosas”, falando em desrespeito “por aqueles para quem se deve olhar como garante de um Estado soberano e independente”.Por seu turno, o presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA), Pereira Cracel, acusou o ministro da Defesa de “afrontar a realidade e a condição militar”, destacando que “gradualmente” os governantes estão a pôr em causa “a defesa militar da República”.Questionado sobre o regresso do Serviço Militar Obrigatório (SMO), que de acordo com uma notícia do jornal Sol é uma das sugestões que consta do relatório da conferência Pensar o Futuro hoje entregue ao primeiro-ministro, em São Bento, Aguiar-Branco disse que “a questão não se coloca”.“Não sei onde colheu essa informação. Não estive em nenhum fórum em que isso tenha sido debatido”, garantiu o ministro da Defesa.De acordo com o “Sol”, o regresso do SMO justifica-se pela “necessidade de contenção de custos, prioritária em conjunturas de crise, mas também como instrumento definidor de cidadania”.

Mais Notícias

    A carregar...

    Edição Semanal

    Edição nº 1363
    08-08-2018
    Capa Vale Tejo
    Edição nº 1363
    08-08-2018
    Capa Médio Tejo