Arquivo | 13-10-2013 10:20

Vencedor da ultramaratona Spartathlon corre 300 quilómetros por semana

O português João Oliveira, vencedor da ultramaratona Spartathlon, na Grécia, treina todos os dias, fazendo o trajecto entre casa e o trabalho a correr, faça chuva ou sol, num total de 300 quilómetros semanais.O atleta de 35 anos, natural de Chaves, psicoterapeuta no Estabelecimento Prisional do Porto, confessou à agência Lusa que corre “por paixão” e que o seu treinador é o relógio.Acorda todos os dias às 05:30 para fazer os 15 quilómetros de casa ao trabalho a correr e, quando sai, às 19h30, dá “cinco a seis voltas” ao Parque da Cidade, impondo às pernas 50 quilómetros diários.A 28 de Setembro, João Oliveira venceu a ultramaratona Spartathlon, na Grécia, ao cumprir os 245,3 quilómetros do percurso em 23:29.08 horas, mas admitiu não estava à espera da vitória, mas sim de um terceiro lugar, dado os seus adversários.Atrás do português ficaram os alemães Florian Reus (25:29.54 horas) e Stu Thoms (25:54.49), vencedor em 2012.“Quando estava isolado no segundo lugar, a 20 minutos do primeiro, comecei a pensar que poderia alcançá-lo, então acelerei e aos 190 quilómetros apanhei-o e desmarquei-me dele até chegar à meta”, descreveu o português, que em 2010 havia conseguido um quarto lugar, com um tempo de 27 horas e 22 minutos.No final, o ultramaratonista, solteiro, falou por telefone com os amigos, que acompanharam a prova pela Internet, e com a família, que não entende, nem apoia esta sua paixão.Correr, comer frutos secos e beber três litros de água por dia foram os “ingredientes” da sua preparação para uma das mais duras ultramaratonas do mundo, com os corredores a passarem por vinhas ou olivais, tendo na subida e descida dos 1.200 metros do monte Parthenio o principal obstáculo.Para o dia da prova, o segredo do português foi simples: “comi a cada 25 quilómetros uma broa de mel, que levei de Portugal, e salgados”.Sem federação e apoios, os custos são todos por conta dos atletas que, no caso de João Oliveira, gastou “cerca de 1.200 euros” em inscrição, viagens, refeições e alojamento.As suas economias, avançou, são “todas” para participar em maratonas e ultramaratonas, classificando-as como as suas férias. “É o meu vício”, afirmou.Sem prémios monetários, o ultramaratonista recebeu uma oliveira que, por pouco, iria ficar em terras gregas.“No aeroporto não queriam deixar trazer-me a oliveira, achando que escondia explosivos ou droga, mas depois lá a trouxe ao colo”, contou.O gosto pelo atletismo vem desde os tempos de escola, em que trocava um jogo de futebol por umas corridas à volta da pista.Quando entrou para o serviço militar, o atleta foi logo recrutado pela equipa da “casa” para participar em pequenos campeonatos. Mais tarde, numa corrida em Chaves, conheceu um atleta que o desafiou a correr uma meia maratona e maratona.O “bichinho” continuou e, incentivado por um atleta do Porto, aceitou o maior desafio de todos: o Spartathlon. No seu currículo, João Oliveira tem 51 maratonas e 33 ultramaratonas.O próximo desafio, para o qual já pagou 1.790 euros de inscrição, é a ultramaratona de Oman, no Médio Oriente, em Janeiro, num percurso de 300 quilómetros.

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