Arquivo | 14-10-2013 09:18

Mulheres combatem desnutrição de crianças com produtos locais no centro de Moçambique

Um grupo de mulheres está a combater a desnutrição em crianças, a maioria órfãs da HIV/SIDA, com papas enriquecidas, feitas com base em produtos locais, na região de Ponja, distrito de Chibabava, Sofala, centro de Moçambique."As condições sociais de muitas crianças são deploráveis, o que as coloca numa situação vulnerável à desnutrição, aliado também a falta de conhecimentos de boas práticas alimentares, daí o projeto para as ajudar" disse à Lusa Otília Macedo, responsável do centro comunitário Sorriso da Criança, em Panja.O centro oferece serviços de triagem nutricional, tratamento para prevenção e controlo da má-nutrição, palestras nutricionais, além da demonstração de culinária para melhoria da dieta alimentar das crianças da região.As papas de farinha de milho são enriquecidas com amendoim, feijão, gergelim, soja e folha de mandioca, secada na sombra, para "travar a desnutrição" de 200 crianças no distrito de Chibabava, considerada "crónica" naquela área."Ao invés de dar feijão, farinha de milho e outros produtos para confeccionar, o projecto produz as papas enriquecidas que são mais nutritivas e distribui mensalmente para cada família", explica Otília Macedo organização Comunidades Sãs (ComuSanas), promotora da iniciativa.O programa, disse, tem estado a melhorar a saúde de muitas crianças desnutridas, agravada por carência de diversificação de alimentos, que geralmente chegam a ganhar, em média, 500g de peso por mês, quando iniciam a terapia de reabilitação através de papas.Um relatório de 2013 da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) mostra que o número anual de mortes de menores de cinco anos "caiu" de uma estimativa de 12,6 milhões, em 1990, para cerca de 6,6 milhões, em 2012. Ao longo dos últimos 22 anos, o mundo salvou cerca de noventa milhões de vidas que poderiam ter sido perdidas.O Relatório “Progresso sobre Compromisso com a Sobrevivência Infantil: Uma Promessa Renovada” destaca os esforços nacionais e globais para salvar a vida de menores de cinco anos, baseadas em evidências, como aumento de acesso a redes mosquiteiras, vacinas, amamentação adequada, tratamento com reidratação para a diarreia, alimentos terapêuticos e suplementos nutricionais.Nos últimos sete anos, avança o relatório, a África Oriental e Austral, de que faz parte Moçambique, tem estado entre as regiões com melhor desempenho no mundo, reduzindo a mortalidade infantil a uma taxa anual de 5,3 por cento entre 2005-2012. A subnutrição contribui para quase metade de todas as mortes de menores de cinco anos. Dados do Instituto Nacional de Saúde e da Associação para Nutrição e Segurança Alimentar (ANSA), de 2008, indicam que uma média de 33.9% das crianças moçambicanas padece de desnutrição crónica, existindo províncias com cifras de desnutrição que vão até mais de 50%, neste grupo populacional.Cerca de 42 por cento das crianças de Sofala sofrem de desnutrição crónica, acima da média nacional."Melhorei muito, eu era frágil e não conseguia carregar uma botija de água de cinco litros. Agora, brinco com outras meninas sem me queixar", disse à Lusa Ana Tsume, nove anos."O controlo das crianças é bom, os resultados chegam a espantar-nos. Mensalmente, assistimos a mudanças incríveis nas crianças, com aumento de peso e da massa do corpo ", afirmou Otília Macedo.

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