Arquivo | 16-10-2013 10:17

Antigo Guarda Vermelho pede desculpa pelas atrocidades da Revolução Cultural

Um antigo Guarda Vermelho apresentou um raro pedido público de desculpa pelas atrocidades cometidas durante a "Grande Revolução Cultural Proletária", na década de 1960, revelou hoje um jornal do Partido Comunista Chinês (PCC).Chen Xiaolu, 67 anos, e alguns dos seus antigos colegas visitaram há uma semana a Escola Secundária n.º 8, em Pequim, onde pediram desculpa aos professores pelo que fizeram durante aquela radical campanha política de massas, lançada em maio de 1966 pelo então presidente Mao Zedong, disse o jornal Global Times.Na altura, alguns professores considerados "seguidores do capitalismo foram "verbal e fisicamente atacados pelos estudantes" e na escola de Chen Xiaolu a violência levou dois professores ao suicídio e um outro ficou deficiente, indicou o jornal.Os guardas vermelhos, movimento criado entre os estudantes do ensino secundário, eram "a vanguarda da Revolução Cultural", uma drástica campanha para "aprofundar a luta de classes sob a ditadura proletária" e "eliminar os revisionistas infiltrados no Partido Comunista".Depois da morte de Mao Zedong, em 1976, a Revolução Cultural foi oficialmente qualificada como "o maior erro e o maior retrocesso da história do socialismo na China", mas, segundo Chen Xiaolu "o seu impacto é ainda visível"."Ao reflectir sobre os erros que cometeram, Chen Xiaolu espera que o nível moral da sociedade melhore", disse o Global Times, jornal oficial de língua inglesa do grupo Diário do Povo, o órgão central do PCC.Em Junho passado, um antigo Guarda Vermelho de Jinan, leste da China, apresentou um idêntico pedido de desculpas, mas devido ao estatuto de Chen Xiaolu, o episódio relatado hoje poderá ter maior repercussão.Chen Xiaolu é filho do antigo marechal Chen Yi, um dos fundadores da República Popular da China, em 1949, que como muitos outros líderes históricos do PCC foi atacado e perseguido durante a Revolução Cultural.Um professor citado pelo Global Times, Zhao Shilin, considerou que "o exemplo" de Chen Xiaolu "ajudará a impedir que desastres políticos idênticos possam voltar a ocorrer", como alertou o ano passado o então primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao.O antigo líder Bo Xilai, condenado em Setembro passado a prisão perpétua por corrupção, fraude e abuso de poder, era considerado o principal representante da ala "neo-maoista" do PCC, saudosista do igualitarismo, das "campanhas políticas de massas" e da "cultura vermelha" associadas à "Grande Revolução Cultural Proletária".

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