Arquivo | 16-10-2013 10:16

Imprensa internacional destaca dureza de cortes para evitar novo resgate em Portugal

A imprensa internacional destaca hoje os cortes nos salários dos funcionários públicos e as políticas de austeridade do Orçamento do Estado português para 2014, ao mesmo tempo que sublinha o esforço para evitar um segundo resgate.Apesar de referirem que o Orçamento do Estado apresentado na terça-feira pelo Governo foi um dos mais duros em Portugal, poucos foram os jornais europeus e internacionais que destacaram o assunto nas suas primeiras páginas.Foi em Espanha que O orçamento português teve mais referências, com os dois principais jornais a noticiarem os cortes nos salários dos funcionários públicos.No caso do El Mundo, os títulos escolhidos lembram que Portugal recebeu um resgate financeiro de 78 mil milhões de euros e dizem que os cortes vão afectar sobretudo funcionários públicos e pensionistas.No El Pais, a notícia acrescenta que o Governo prevê um ligeiro crescimento da economia, mas sublinhando que isso “não se verá nas ruas”.A dureza do orçamento apresentado pelo Governo foi também o que mais impressionou os jornais britânicos.Embora não puxe o assunto para a capa, o Financial Times diz que “Lisboa apresentou um orçamento austero para evitar um novo resgate” mas refere que as autoridades portuguesas estão preocupadas com a reacção do Tribunal Constitucional.Também a BBC fala na austeridade do Orçamento do Estado português, afirmando mesmo que este é “o mais duro dos últimos anos” e que vai provocar muitos protestos.O documento que projeta as contas do Estado para 2014 chegou também ao outro lado do Atlântico, com o brasileiro Estadão a anunciar que Portugal “vai reduzir os salários de funcionários públicos, pensões e benefícios sociais no próximo ano”.Nos Estados Unidos, a palavra-chave para descrever o OE 2014 em Portugal é “austeridade”, com o The Wall Street Journal a garantir que este é o orçamento com o “mais severo pacote de cortes nas despesas” desde que o país entrou no programa de resgate financeiro, enquanto o Global Post adianta que os cortes “foram pedidos pelos credores”.A agência internacional de notícias Reuters também destaca os cortes salariais, considerando que isso vai conduzir Portugal para fora do programa de resgate e de regresso ao mercado financeiro depois da “pior crise económica que o país viveu desde os anos 1970”.A proposta de lei do Orçamento do Estado entregue na terça-feira no Parlamento pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, prevê que seja “aplicada uma redução remuneratória progressiva entre 2,5% e 12%, com carácter transitório, às remunerações mensais superiores a 600 euros de todos os trabalhadores das Administrações Públicas e do Sector Empresarial do Estado, sem qualquer excepção, bem como dos titulares de cargos políticos e outros altos cargos públicos”.O subsídio de Natal dos funcionários públicos e dos aposentados, reformados e pensionistas vai ser pago em duodécimos no próximo ano, segundo a proposta, que mantém a aplicação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) sobre as pensões.No documento, o Governo refere que o défice orçamental deste ano vai resvalar para os 5,9% do PIB, superando os 5,5% definidos para 2013 entre o Governo e a 'troika' e confirma as previsões macroeconómicas, apontando para um crescimento económico de 0,8% e uma taxa de desemprego de 17,7% em 2014.

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