Arquivo | 26-10-2013 10:19

Nova Junta do Parque das Nações funciona num monobloco e sem orçamento

A freguesia do Parque das Nações (Lisboa) “começa do zero”. Tão do zero que o presidente deu posse a si mesmo, não tem orçamento para gerir e vai trabalhar num monobloco, que funcionará como sede provisória da junta.“Começamos do zero. Não temos rigorosamente nada. É mesmo do zero-zero”, disse José Moreno à Lusa.Depois de uma primeira reunião na Câmara Municipal de Lisboa, a questão das instalações ficou temporariamente resolvida, embora longe do desejo do autarca: instalar a junta de freguesia no Pavilhão de Portugal. O executivo vai, por agora, e sem data de fim, trabalhar num monobloco cedido pela autarquia, no extremo norte da freguesia.A câmara, explicou José Moreno, comprometeu-se ainda a “fornecer apoio logístico e de pessoal” nesta fase.Preocupa-o agora o dinheiro. A junta só tem dotação orçamental a partir de janeiro, mas não só já teve despesas – é preciso pagar à funcionária que ficou a trabalhar à noite na escola que lhes foi cedida para a tomada de posse –, como precisa de verba para poder começar a funcionar.“Isso agora depende do Governo, através da Direcção-geral das Autarquias Locais, à qual já solicitámos uma reunião com carácter de urgência”, afirmou.Sem esta questão resolvida, a junta de freguesia não pode, por exemplo, pagar aos eleitos, pagar as senhas de presença aos deputados da assembleia de freguesia ou comprar o impreterível selo branco e outros consumíveis necessários ao trabalho.José Moreno, de 66 anos, é licenciado em Direito e está aposentado desde 2001. Enquanto presidente da Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das nações foi, durante mais de uma década, o rosto na bandeira pela criação da freguesia a que agora preside.O movimento independente “Parque das Nações por Nós”, cuja lista concorrente às autárquicas de 29 de Setembro encabeçou, ficou a pouco mais de duas centenas de votos da maioria absoluta, somando 40,87% dos votos.O território do Parque das Nações – um antigo espaço industrial reabilitado para acolher a Expo’98, inaugurada a 22 de maio desse ano – dividia-se por três juntas de freguesia (Santa Maria dos Olivais, Moscavide e Sacavém) e por dois concelhos (Lisboa e Loures). A freguesia foi criada pela reforma administrativa da cidade de Lisboa.José Moreno faz contas à gestão de uma área de cerca de 550 hectares, onde vivem cerca de 30 mil pessoas. Sabe que tem em mãos uma freguesia heterogénea e quer trabalhar para “atenuar as barreiras e as diferenças” entre o bairro do Parque das Nações e os bairros sociais da zona poente da freguesia.“Naquela zona teremos como prioridade, para além da intervenção social, a limpeza e a manutenção do espaço público, porque o que se vê hoje denuncia um enorme abandono por parte da autarquia, e tem que ser reparado”, afirmou.Diz que quer fazer “mais, melhor e diferente” e a Educação e a Saúde estão também entre as suas prioridades: “Temos um défice enorme de equipamentos escolares públicos. A junta pode e deve exercer pressão junto de quem tem responsabilidade e vai fazê-lo, pedindo de imediato reuniões”, anunciou, garantindo que se baterá também pela construção de um centro de saúde na freguesia, “cujo projecto se arrasta desde 2000”.Mas antes, concluiu, é preciso gerir o “caricato” - o tal zero-zero.

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