Arquivo | 01-11-2013 15:02

Portas aponta para vida além da troika e acusa PS de estar em negação

O vice-primeiro-ministro acusou hoje o PS de estar em "negação" perante um "princípio do crescimento económico", como um actor do cinema mudo que não sabe transitar para o sonoro, numa intervenção em que apontou insistentemente para o "pós-‘troika'"."Nunca me ocorreu que o maior partido da oposição interiorizasse uma atitude de negação", afirmou Paulo Portas, no parlamento, no encerramento da discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2014.O vice-primeiro-ministro, que foi interrompido por protestos nas galerias, disse que não lhe tinha ocorrido que o PS "não tivesse o cuidado de saudar ou reconhecer" indicadores de crescimento, diminuição do desemprego, aumento de produção e exportações, de criação de empresas, entre outros.Portas recorreu à sua cinefilia para comparar os socialistas a "actores do cinema mudo que nunca conseguiram passar para o cinema sonoro"."Tanto se habituaram a explorar cada instante e cada sofrimento da recessão, que agora, perante um princípio de crescimento económico, ou dizem nada ou não sabem o que dizer", comparou.A intervenção de Paulo Portas foi muito centrada nas críticas ao PS e no apontar do fim do programa de assistência económica e financeira."Entre 2011 e hoje, em certo sentido, não houve vida para além do défice. A partir de Junho de 2014, haverá vida para além da ‘troika'", afirmou."Algo me diz que o maior partido da oposição cometeu um lapso, não sobre o tamanho da letra [referência ao ‘guião' da reforma do Estado], mas sobre uma dimensão de avaliação política", afirmou.Para Portas, "dizer que os sinais de recuperação da economia são ‘sol de pouca dura', tem dois riscos maiores", a começar pelo falhanço da previsão "não sobre o que o Governo diz, mas sobre o que a economia consegue"."Outro, é deixar no ar a dúvida, certamente injusta de que o Partido Socialista não consegue desenvolver uma política de oposição em cenário de crescimento macroeconómico", sustentou.O vice-primeiro-ministro, que é líder do CDS-PP, acusou os socialistas de terem ficado "reféns de uma estratégia que diz ‘não' e mais ‘não' e só ‘não', ‘não' a tudo o que é reforma"."Surpreende que o Partido Socialista, que nos meteu nesta tortura, um certo PS que já lá vai, não perceba que chegar ao dia seguinte à ‘troika', daqui a sete meses, é a melhor homenagem que podemos prestar aos portugueses que foram sacrificados e humilhados neste resgate imperdoável", argumentou.Portas qualificou ainda de "perturbadora a declaração do líder da oposição, segundo a qual em Junho e 2014 Portugal estará pior do que em maio de 2011"."Eu não vou responder-lhe afirmando que em maio de 2011 Portugal viveu uma espécie de 1580 financeiro ou que em Junho de 2014, quando o programa acabar e a ‘troika' sair, poderemos viver uma espécie de 1640 financeiro. Seria não guardar distância nem proporções", disse, dirigindo-se a António José Seguro, numa referência à ocupação espanhola de Portugal e à independência reconquistada."Mas vou perguntar a quem quer ser primeiro-ministro: O que tem Portugal a ganhar em perder agora? O que têm os portugueses a ganhar em morreram na praia em vez de conseguirem objectivamente reaver liberdade, soberania e o direito a viver normalmente?", questionou.Paulo Portas argumentou que quem defende a mudança é quem está empenhado em terminar o programa de assistência, económica e financeira, ao que "os que defendem a opção de não cumprir, os que sempre espreitam um acidente de percurso, estão, mesmo que o façam involuntariamente, a defender a continuidade da dependência, do vexame e a continuidade até dos defeitos do memorando".Apesar das críticas à oposição, sobretudo ao PS, o ‘vice' do executivo de Passos Coelho começou a sua intervenção a invocar a necessidade de uma "trégua política em nome do bem comum", considerando que "apesar dos sinais de crispação exagerada permanecerem", o Governo não deve "desistir de procurar o esse mínimo de concórdia nacional".Portas sublinhou que quando já se vê "no horizonte o dia em que o resgate acaba, o dia em que o memorando cessa, o dia em que a ‘troika' parte", é preciso assumir que não terminarão os "constrangimentos", mantendo Portugal "obrigações" que derivam da soberania que partilha na União Europeia.O que o país recupera em 2014, sublinhou o vice-primeiro-ministro, é a "soberania" para poder escolher as políticas que conduzam ao cumprimento dessas obrigações.

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