Arquivo | 02-11-2013 10:22

Compromisso do PS essencial para financiamento de Portugal defendeu Passos Coelho

O primeiro-ministro defendeu na sexta-feira que um compromisso de médio e longo prazo que envolva os socialistas é essencial para o financiamento de Portugal e sugeriu que o actual discurso do PS assusta os mercados."Nós devemos colocar-nos no horizonte do médio e do longo prazo. A nossa dívida é demasiado elevada, o que significa que vai dar muito trabalho, ano após ano, a reduzir", afirmou Pedro Passos Coelho, durante uma conferência sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2014, num hotel de Lisboa."Aqueles a quem devemos o dinheiro querem saber se há um compromisso de médio e de longo prazo do país. Quer dizer, querem ter a noção se vale a pena emprestarem-nos mais dinheiro uma vez que nós nos comprometemos a pagar aquilo que lhes devemos", acrescentou.Num discurso de mais de uma hora, que terminou perto da meia-noite, o presidente do PSD e primeiro-ministro procurou desmontar o que apelidou de "ideias mistificadoras" dos socialistas e, considerando que "aquilo que é hoje dito em Portugal pelo PS é muito escrutinado em termos externos", apelou para que a direcção de António José Seguro assegure o cumprimento dos compromissos assumidos por Portugal.Passos Coelho referiu-se desta forma ao efeito do actual discurso PS nos mercados: "Quando o principal partido da oposição proclama aos quatro ventos que quando chegar ao Governo irá desfazer tudo aquilo que nós fizemos e acha que a única maneira é, no fundo, esperar que a Europa resolva o nosso problema, aqueles que nos emprestam dinheiro pensam 'bem, se naquele país as pessoas começam a ficar cansadas do caminho que está a ser seguido e há uma probabilidade de aquele partido ganhar as eleições, se calhar é melhor ser prudente e não pôr lá o nosso dinheiro'".O primeiro-ministro referiu que a maioria PSD/CDS-PP não precisa do voto nem do apoio do PS às suas medidas, acrescentando: "Mas se a posição que assume na sociedade portuguesa for de divergência com o memorando de entendimento, de não respeito pelos nossos compromissos, de vender ilusões às pessoas, então os mercados terão mais dificuldade em acreditar em nós.""É hoje uma responsabilidade do PS mostrar que temos condições para fechar este período e para que os investidores em Portugal possam acreditar mais firmemente no futuro", reforçou.Segundo Passos Coelho, os investidores "sabem que o Governo [PSD/CDS-PP] está comprometido com esse resultado", mas esperam um compromisso mais alargado."Gostariam que houvesse uma convergência maior no médio e no longo prazo para acreditarem que, quando nós viermos a emitir a dez anos, ou a oito anos, ou a cinco anos, que está para além do nosso mandato, que outros que possam estar cá a governar nessa altura olhem para estas responsabilidades - não é para o resto do Programa de Governo - com o mesmo zelo e cuidado com que nós olhamos", sustentou."Daria uma grande ajuda ao país nesta altura que este sentido de responsabilidade pudesse habitar o discurso do PS. E é por isso que nós nos mantemos inteiramente disponíveis, abertos, interessados e empenhados em promover esse diálogo com o PS para conseguirmos dar estabilidade a longo prazo às políticas que temos vindo a desenvolver", concluiu.

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