Arquivo | 11-11-2013 09:16

Santana Lopes exclui regresso à política activa por estar realizado na Santa Casa

Pedro Santana Lopes exclui um regresso à política activa nos próximos tempos, considerando que o seu trabalho como provedor na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) não se esgota num mandato.Em entrevista à agência Lusa, Pedro Santana Lopes faz o balanço dos dois anos de mandato como provedor, fala dos desafios de gerir “uma casa complexa”, da grande aposta na investigação e na vontade de continuar à frente da instituição.“É uma instituição com 515 anos. Portanto, são dois anos em 515”, começa por dizer Santana Lopes, para quem a “principal responsabilidade” de quem dirige a instituição deve ser “saber respeitar” o seu legado e “apreender a cultura da casa”.Fazendo uma “síntese rápida” do mandato, diz que a sua “grande preocupação” foi ”apreender bem a cultura da casa”: “Não acredito que se lidere uma instituição como esta remando contra a sua matriz”.Santana Lopes diz ter procurado dar continuidade ao “trabalho permanente” da instituição, como o auxílio aos pobres e idosos, mas quis adaptá-la aos “tempos atuais”, com uma maior abertura ao exterior.“Já houve provedores de muitas maneiras de ser, com diferentes percursos. Eu julgo que talvez tenha esta vantagem de saber relacionar a Santa Casa com as universidades, com outros poderes públicos e privados em Portugal e associá-la a projetos que nunca se envolveu como, por exemplo, na área da investigação”.Nesse sentido, criou as primeiras e maiores bolsas para investigadores portugueses, de 400 mil euros anuais, sendo as primeiras atribuídas a 05 de Dezembro.“Se [a SCML] tem tantos velhinhos a seu cargo, [porque] não investiga na área das doenças neurodegenerativas? Se tem um centro como Alcoitão, com pessoas paraplégicas, tetraplégicas e com outras limitações físicas não se investiga? Não se procura a cura para essas lesões vertebromedular? Tem de investigar e apoiar quem investiga”, defende.Diz ser crente em Deus, mas não ser fatalista, acreditando, por isso, que “as coisas não acontecem inteiramente por acaso”.“Talvez tenha vindo para esta casa, nesta altura, com esta missão de a modernizar, nomeadamente no seu funcionamento interno, e saber relacionar-se melhor com o mundo exterior”.O provedor diz não querer a SCML apenas associada a “uma imagem de tristeza”, mas de “esperança”.Nesse sentido, recusa o “paradigma de envelhecimento” existente no país.“Como provedor tenho trabalhado no sentido de não aceitar que as pessoas de mais idade estejam em lares à espera do dia da partida”.Os idosos devem estudar, aprender, fazer exercício e divertir-se, defende, dando como exemplo o caso Mário Soares e de Maria Barroso.“Com a idade que têm (…) estão numa forma invejável. Hoje em dia pode achar-se as intervenções do Dr. Mário Soares às vezes mais polémicas, mas polémicas são quase sempre, ainda bem, é bom sinal, que está vivo”.O desafio foi a razão que levou Santana Lopes a aceitar o cargo: “A vida tem de ter um sentido para nós próprios e eu, que já exerci várias funções públicas, entendi que a melhor maneira de servir, neste momento, era vir para uma casa onde ia estar ao pé de situações muito difíceis”.“Às vezes é duro, é difícil lidar com isto no dia-a-dia, mas interiormente achei que era o que devia fazer”.Diz que a SCML tem uma “excelente relação” com a Câmara de Lisboa, o que “nem sempre aconteceu”: “O próprio Dr. António Costa diz que, se lembre, nunca houve uma tão boa relação”.Questionado sobre a sua disponibilidade de continuar por mais um mandato à frente da SCML, Santana Lopes é peremptório:“Posso dizer já que estou, porque aquilo que estou a fazer aqui é impossível uma pessoa ficar satisfeita e dar o seu trabalho concluído só com um mandato”.Nesse sentido, exclui regressar, a curto ou médio prazo, à vida política.“É aqui que quero continuar, é aqui que me sinto bem, sinto-me realizado”.

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