Arquivo | 19-11-2013 19:36

Governo pondera tornar obrigatório exibir identificação na compra de tabaco

O Governo pondera tornar obrigatória a apresentação da identificação na compra de cigarros, porque, segundo um relatório hoje apresentado, um quinto dos adolescentes portugueses com 13 anos considera que é “fácil ou muito fácil” aceder ao tabaco.Dados da Direcção-Geral da Saúde sobre tabagismo, hoje apresentados em Lisboa, mostram que é fácil aos adolescentes portugueses acederem ao tabaco, embora seja proibida a venda de cigarros a menores de 18 anos.Mais de 20% dos adolescentes com 13 anos indicaram que lhes era “fácil ou muito fácil” aceder a tabaco e, aos 15 anos, o mesmo grau de facilidade era apontado por um em cada dois adolescentes.Emília Nunes, directora do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, assumiu hoje que os adolescentes portugueses não sentem dificuldades em ter acesso a cigarros, apesar de a lei proibir a sua venda a menores.Também o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Leal da Costa, demonstrou preocupação com esta realidade, que “indicia que há venda ilegal de tabaco a menores”, anunciando que pondera exigir a apresentação da identificação no momento da compra, o que agora não é contemplado na lei.“Somos forçados a concluir que está a haver venda ilegal. Não haverá um controlo eficaz na venda”, declarou o governante na apresentação do relatório “Prevenção e Controlo do Tabagismo em Números”.Apesar de não afastar a possibilidade de haver jovens com mais de 18 anos que fornecem tabaco a adolescentes mais novos, Leal da Costa disse que o Governo tentará que a lei que proíbe a venda a menores seja “integralmente cumprida”.O secretário de Estado reitera que “tem de haver um controlo mais eficaz da idade” no momento da venda, embora rejeite a ideia de “colocar um agente da ASAE ao lado de cada vendedor”."Ponderamos tornar obrigatório, na lei, a exigência de um documento de identificação, como acontece noutros países", declarou aos jornalistas no final da apresentação do relatório da Direcção-Geral da Saúde.Para a coordenadora do Programa Nacional de Prevenção do tabagismo, a estratégia fundamental em Portugal deve passar por evitar que os mais jovens comecem a fumar, embora alerte também para a importância de incentivar a cessação tabágica.Aliás, de acordo com estimativas internacionais reforçadas pela especialista, deixar de fumar aos 30 anos significa recuperar os 10 anos de esperança média de vida que o tabaco retira.Contudo, em Portugal a maioria dos adultos fumadores (54%) referiu, num inquérito de 2012, nunca ter feito qualquer tentativa para deixar de fumar.Emília Nunes sublinha que o tabagismo é o primeiro responsável pela mortalidade prematura em Portugal e que pode ser considerado também “um problema de saúde pediátrico”.Segundo dados do relatório que, no essencial, compila números de outras fontes de informação, mais de 90% dos portugueses começa a fumar antes dos 25 anos e 22% fá-lo antes dos 15 anos.José Calheiros, médico e especialista em questões de saúde preventiva, vincou a necessidade de proteger a população mais jovem do fumo, nomeadamente as crianças, lembrando aos pais fumadores que devem proteger os filhos.“Fumar no carro com os filhos equivale a expô-los ao fumo a que um bombeiro está exposto num incêndio florestal”, comparou.

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