Arquivo | 21-11-2013 09:22

Rajoy defende sinais positivos na economia espanhola a meio do mandato

O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, defendeu hoje que a economia começa a dar sinais positivos, dois anos depois de ter chegado ao poder e de um processo de “decisões duras, difíceis e de quem ninguém gosta.“Não me atrevo a dar-me uma nota. Nem para me castigar, nem para me congratular. A nota faz-se no final do exame, no final da legislatura”, disse Rajoy, entrevistado pela RNE, dois anos depois da sua chegada ao Governo e numa altura em que o executivo se multiplica em discursos e intervenções optimistas.Rajoy defendeu medidas como o aumento de impostos, incluindo o IRPF (equivalente em Espanha ao IRS), afirmando que “não havia outra alternativa” perante “um défice descomunal” e as dificuldades de financiamento nos mercados.“Tomámos decisões duras, difíceis e de que ninguém gosta. Creio que já há alguns resultados e veremos mais durante 2004. A economia não se compõe com uma norma ou um discurso”, disse.Nas últimas semanas, especialmente depois da saída formal de Espanha da recessão, no final do terceiro trimestre, Rajoy e vários membros do seu Governo têm-se multiplicado em declarações optimistas e de confiança.“Trata-se de crescer e melhorar as receitas. Estou em condições de dizer que não haverá ajustes tão importantes como os que temos tomado até agua. Mas temos que continuar a fazer reformas para ser mais competitivos”, disse Rajoy.“Somos o país da UE onde mais crescem as exportações. Estamos em inflação negativa, não crescem os preços. E os dados de Outubro são melhores do que os de Outubro do ano passado”, disse ainda.Apesar do optimismo, os principais indicadores económicos continuam a ser negativos, com destaque para o desemprego com quase mais um milhão de desempregados nos últimos dois anos e menos 870 mil a trabalhar. O salário médio caiu 0,5 por cento.Apesar de, formalmente, a economia espanhola ter saído da recessão técnica, globalmente, o PIB caiu 2,5% nos dois anos de Governo do PP.Mesmo no mercado exterior, onde os dados são mais positivos, o crescimento das exportações é hoje mais reduzido (5,7%) do que quando Rajoy chegou ao Palácio da Moncloa (cresciam a 7,6%).A queda do investimento das empresas também continua a cair, descendo 6,6% (mais duas décimas), acumulando uma queda de 11% desde que Rajoy chegou ao poder. A produção industrial também acumula uma queda de 6,2 por cento.Nos últimos dois anos o crédito novo às empresas caiu 21% e o crédito às famílias desceu 27 por cento.Mesmo no componente que mais marcou a agenda do Governo, a consolidação das contas públicas, os dados dos últimos dois anos são pouco optimistas, apesar dos fortes cortes em gastos sociais, despedimento de funcionários e aumento de impostos.O défice público aumentou em 2012, para 10,6% (com o valor do resgate à banca) e a dívida passou de 70% para 92% do PIB.Positiva foi, claramente, a melhoria no risco da dívida - medido pelo diferencial entre os títulos espanhóis e alemães a 10 anos – que era de 467 pontos quando Rajoy chegou ao Governo, caindo agora para cerca de 235 pontos.Esta melhoria não surgiu sem sobressaltos, como em Julho do ano passado quando alcançou o recorde de 637 pontos, mesmo depois dos ajustes mais duros que pretendiam acalmar os mercados.

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