Arquivo | 06-12-2013 17:24

Embaixadora sul-africana em Lisboa espantada pela resposta portuguesa

A embaixadora da África do Sul em Lisboa mostrou-se hoje "espantada" pela resposta portuguesa à morte de Nelson Mandela, atenuando a "profunda tristeza", mas sem abalar a necessidade de celebrar a vida do "Tata" (pai) da democracia em África.Em declarações à Lusa, Keitumetse Matthews frisou tratar-se de uma grande perda para a África do Sul, mas "ainda maior para o Mundo" porque o antigo estadista sul-africano "era um exemplo para todo e qualquer ser humano".Já com a bandeira a meia haste e três velas - duas delas com o sorriso de Mandela estampado - a arderem à porta do número 10 da Rua Luís Bívar, nas avenidas novas, em Lisboa, algumas pessoas começaram a aproveitar para deixar mensagens no livro de condolências, a partir das 14:00, bem como depositar ramos de flores.O líder do PS, António José Seguro, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acompanhada pela deputada Helena Pinto, também o fizeram, cumprimentando a representante da África do Sul. Os corpos diplomáticos de Iraque, Marrocos ou Bielorrússia foram outros dos presentes."Obviamente, estou muito triste. [Mandela] Era da família de toda a gente, muito próximo de todos. Amamo-lo profundamente, mas é uma mistura de tristeza e de celebração. A sua vida tem de ser celebrada porque foi vivida intensamente. O tempo depois da prisão foi uma vida em cheio. Temos de celebrar porque o seu legado tem de permanecer o mais possível", disse a diplomata sul-africana.Matthews, há quase três anos no posto, lembrou que "Portugal tinha um movimento 'anti-apartheid'" e que o líder sul-africano do movimento rebelde então, Oliver Tambo, visitou Lisboa "no pico da luta", algo que considerou ter sido "muito importante" e "merecedor de reconhecimento, pois muita gente não o sabe"."Estamos muito contentes, muito felizes, com a resposta que nos deram. Muito obrigado. Estou espantada com a resposta. Têm sido tantos telefonemas e mensagens de toda a parte em Portugal. Os ?media' têm sido excelentes, com documentários, televisões, rádios, todos a relatar a vida dele, sobre a situação na África do Sul, antes e depois... é um reconhecimento que tenho de dar a Portugal pela solidariedade demonstrada", disse."Rest in Peace, Madiba'" (descansa em paz e o nome do clã Thembo a que Mandela pertencia) ou um simples "Thanks" (obrigado) são várias das inscrições deixadas na à entrada da embaixada.A morte de Nelson Mandela, aos 95 anos, foi anunciada na quinta-feira à noite pelo Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, motivando de imediato reacções de pesar a nível mundial."A nossa nação perdeu o maior dos seus filhos", disse Zuma, que anunciou hoje que o funeral de Estado de Mandela se realizará a 15 de Dezembro.O Comité Nobel norueguês considerou Nelson Mandela, que esteve preso quase trinta anos pela sua luta contra o regime 'apartheid" da África do Sul, "um dos maiores nomes da longa história dos prémios Nobel da Paz".Mandela foi o primeiro Presidente negro da África do Sul, entre 1994 e 1999.

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