Arquivo | 06-12-2013 11:39

Portugal congratula-se com resolução da ONU sobre a República Centro-Africana

Portugal congratulou-se hoje com a adopção de uma resolução pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a República Centro-Africana, considerando que ela demonstra "a determinação da comunidade internacional em protegera a população"."Portugal congratula-se com a adopção, ontem [quinta-feira], da Resolução 2127/2013 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que demonstra a determinação da Comunidade Internacional em proteger a população da República Centro-Africana e promover a paz e a segurança naquele país", lê-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros enviado à Lusa."Portugal vem seguindo com preocupação o agravar da situação humanitária e de segurança na República Centro-Africana e condena as graves violações de direitos humanos e os ataques à população civil que se têm vindo a intensificar nos últimos meses”, refere o comunicado.“Causam igualmente apreensão as tentativas de manipulação dos confrontos em termos étnicos e religiosos, com graves consequências para a segurança regional", afirma-se no documento, que conclui com a manifestação de um "particular apreço pelos esforços que a França e a União Africana vêm desenvolvendo no terreno, também com o apoio da União Europeia".Mais de 130 pessoas morreram nos confrontos entre milícias e as forças de segurança registados, esta quinta-feira, na capital da República Centro-Africana, Bangui, confirmou hoje a Cruz Vermelha."Registámos mais de 130 mortos até à noite passada, mas não visitámos todas as zonas dos combates. Neste momento, não podemos 'fechar' a lista" de vítimas mortais, indicaram fontes do organismo à agência Efe.O número supera largamente o divulgado, esta quinta-feira, pela Médicos Sem Fronteiras, cujo balanço apontava para pelo menos 50 mortos e cerca de cem feridos, enquanto as autoridades estimaram o número de vítimas mortais em pelo menos mais de uma centena.Esta manhã, a capital da República Centro-Africana acordou com alguns incidentes violentos em distritos a sul, tendo-se registado rixas durante a noite noutros lugares da cidade, segundo constatou a agência noticiosa espanhola.Vários testemunhos do norte, oeste a sul de Bangui asseguraram à Efe que membros do grupo rebelde Séléka - cujo líder Michel Djotodia, exerce como presidente a transição da República Centro-Africana - têm cometido abusos nessas zonas.O Ministério de Segurança Pública anunciou, entretanto, o encerramento das fronteiras com a República Democrática do Congo, a partir de hoje e até novo aviso.A situação continua complicada na capital, apesar de o Presidente francês, François Hollande, ter anunciado, esta noite, o arranque "imediato" da acção militar, depois da aprovação de uma resolução pelo Conselho de Segurança da ONU que autoriza Paris a utilizar a força na República Centro-Africana.O chefe de Estado indicou que a França conta já com 650 militares no terreno, um contingente que espera duplicar "nos próximos dias, para não dizer nas próximas horas", com um único fim: "salvar vidas".As declarações de Hollande foram feitas horas depois de o Conselho de Segurança da ONU ter autorizado a intervenção de forças francesas na República Centro-Africana em apoio a uma força pan-africana para restaurar a segurança na antiga colónia francesa.A resolução, aprovada por unanimidade, autoriza os soldados franceses a "tomarem todas as medidas necessárias para apoiar a Misca (força africana na República Centro-Africana) no cumprimento do seu mandato".A Misca poderá agir "por um período de 12 meses" e tem por missão "proteger os civis, restabelecer a ordem e a segurança, estabilizar o país" e facilitar a distribuição de ajuda humanitária na República Centro-Africana.O país de 4,5 milhões de habitantes mergulhou no caos desde o golpe de Estado de Março realizado pela coligação rebelde Séléka, com origem na minoria muçulmana, que afastou o Presidente François Bozizé.A resolução prevê igualmente a eventual transformação da Misca numa força de paz da ONU, a qual terá de ser aprovada pelo Conselho de Segurança, devendo o secretário-geral das Nações Unidas preparar um relatório sobre a questão nos próximos três meses.O documento aprovado prevê ainda a criação de uma comissão de inquérito sobre os direitos humanos e um embargo de um ano às armas para o país.

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