Arquivo | 15-12-2013 10:39

Capote alentejano reinventado em Évora em versão feminina mais leve e colorida

“Símbolo” do Alentejo e “antídoto” contra o frio, o capote alentejano está a ser reinventado por uma empresa de Évora, que lhe introduziu cores garridas e materiais mais leves, para o colocar “na moda” e conquistar o universo feminino.“Este é um projecto que pretende trazer o capote alentejano para a rua e introduzi-lo no universo da moda feminina”, explica à agência Lusa Delfina Marques, uma das duas criadoras da nova peça.Ao seu lado, a sua sócia Florbela Nunes sublinha à Lusa que o objectivo foi mesmo “fazer do capote um casaco ‘fashion’ (adaptado às tendências da moda)”.Agasalho típico do Alentejo, que servia outrora para “matar” o frio nos campos, o capote ainda hoje é usado por muitos. Com o passar do tempo, atraiu um público mais vasto e tornou-se unissexo, embora se mantenha mais na esfera masculina.Para estas duas amigas de Évora, que há muito sonhavam com um projecto criativo comum, a ideia de dar um toque mais feminino ao pesado capote surgiu “num dia frio de Janeiro”, durante um almoço, e foi o pretexto ideal para “unirem esforços”.Após uma fase de estudo e investigação, para conhecerem os “segredos” da confecção desta capa, passaram das palavras aos actos e, há dois meses, “nasceu” a Capote’s Emotion.A empresa ainda dá os “primeiros passos”, mas os capotes, executados com mestria por uma costureira de Évora, estão a sair às dezenas, sendo vendidos através da Internet (www.capotes.pt) e em lojas no Alentejo e Lisboa.“Temos vendido a pessoas daqui, mas também para Viseu e para o Porto” e alguns exemplares seguiram até para “o Canadá e Londres”, na Inglaterra, conta Florbela.Ao substituírem o típico burel com que o capote é feito por lã, as criadoras deram-lhe leveza e, apesar de manterem a traça, também tiraram volume à peça.“Recorremos a materiais nacionais, a lã, a seda e cetim, que utilizamos para forrar, e a peles naturais de borrego”, para a gola, realça Delfina.Mas são as cores garridas que “saltam à vista” primeiro. A colecção inaugural, além de um modelo infantil, inclui capas femininas em oito cores, que remetem para emoções ligadas à região.“O rosa tinha a ver com a romã e a alvorada no Alentejo e o verde com a azeitona e o amor pela terra”, diz Florbela, ao relatar o processo de escolha das cores.Os restantes modelos são “Luar de Janeiro” (preto), “Açafrão” (amarelo torrado), “Sigo o Sul” (vermelho), “Vicentino” (azul), “Vento Suão” (castanho) e “Emotion” (tecido com padrões).Para o próximo ano, os planos já estão em marcha, para lançar novas cores e criar novos produtos, nomeadamente um capote masculino e as tradicionais samarras, que Delfina e Florbela querem também reinventar.Para já, o capote feminino parece ser uma aposta ganha, até porque está a conquistar várias faixas etárias.“Há muitas raparigas que gostam e têm comprado, há o público dos 30 e 40 anos, de pessoas já maduras, que também tem aderido ao projecto. E, depois, há pessoas mais velhas que se identificam muito com a peça e que compram”, afiança Florbela.E, no que toca a este agasalho, a identidade é mesmo um factor-chave, reforça Delfina: “O capote é algo que é usado por quem tem com ele uma relação afectiva. Tem de se perceber o capote e entender o que representa. Não é um casaco qualquer, é um capote alentejano. Tem uma alma”.

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