Arquivo | 20-12-2013 11:52

As palavras cruzadas dos tempos modernos cumprem cem anos no sábado

As palavras cruzadas, que existem há cem anos na imprensa internacional, fazem bem ao vocabulário e à mente e têm resistido ao tempo, afirmou à agência Lusa Paulo Freixinho, que inventa estes passatempos em jornais portugueses.Há registo da existência deste passatempo há vários séculos, mas considera-se que as palavras cruzadas modernas, na imprensa, surgiram a 21 de Dezembro de 1913, quando o jornalista britânico Arthur Wynne, emigrado nos Estados Unidos, publicou um desafio com palavras no jornal New York World. Cumprem-se cem anos no sábado.Esta é uma data importante para Paulo Freixinho, 45 anos, criador de palavras cruzadas há mais de vinte anos para cerca de dez publicações portuguesas, como os jornais Público e Jornal de Notícias e a revista Caras.Atualmente dedica todo o seu tempo a ler e a inventar passatempos, rodeado de livros e de dicionários à procura de novas palavras para adicionar aos desafios, que também são publicados em periódicos portugueses na Alemanha e no Luxemburgo.Para Paulo Freixinho, que já criou mais de vinte mil passatempos, as palavras cruzadas continuam a ser um bom desafio para a mente, sobretudo para o enriquecimento de vocabulário, mesmo que enfrentem algumas adversidades como a quebra de vendas dos jornais e revistas e uma maior dispersão da atenção dos leitores por outros entretenimentos."Acho que as palavras cruzadas nunca tiveram tanta visibilidade como agora, por causa da Internet. Houve uma altura em que, com o aparecimento do Sudoku, os jornais estavam a pedir menos palavras cruzadas, mas ainda há quem pare naquela página e resolva os problemas", disse.Paulo Freixinho tem ainda a experiência directa de contactar com leitores, como por exemplo crianças, nas visitas que faz às escolas e nos passatempos que cria para os mais novos."Acho que as palavras cruzadas são boas para quem gosta de saber mais e para quem gosta de conhecer mais palavras. Eu vivo rodeado de dicionários e leio bastante mais, para conhecer novas palavras na literatura", admitiu.Paulo Freixinho não é o único inventor de palavras cruzadas em Portugal - "há mais autores, não vivem todos exclusivamente disto e eu acho que até sou o mais novo" -, mas quebrou o anonimato e conquistou alguma visibilidade com a Internet, através de um blogue e das redes sociais.Em 2011 editou o livro "Palavras Cruzadas com Literatura", recorrendo apenas a obras da literatura portuguesa.Apesar dos milhares de desafios já inventados, Paulo Freixinho exclamou que não se farta de palavras cruzadas: "Acho que é uma paixão para a vida. Ou melhor, não é paixão, que isso passa, é amor".Para assinalar, no sábado, o centenário das palavras cruzadas dos tempos modernos, Paulo Freixinho colocou no Facebook uma reprodução do primeiro puzzle de palavras, o tal criado por Arthur Wynne, com a forma de um diamante, sem quadrículas pretas, e com uma única palavra desvendada: Fun.

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