Cultura | 28-05-2009 07:57

Pólo da Fundação José Saramago na Azinhaga recebeu dois mil visitantes

O pólo da Fundação José Saramago criado há um ano na Azinhaga do Ribatejo, terra natal do Nobel da Literatura, recebeu cerca de 3.000 visitantes, disse o presidente da Junta de Freguesia.De acordo com Vítor Guia, o edifício onde foi instalado o pólo, no Largo da Praça da Azinhaga, tem sido visitado por centenas de pessoas interessadas em conhecer a aldeia onde nasceu o escritor, há 86 anos.O autarca assinalou que metade dos visitantes são estrangeiros - muitos de nacionalidade espanhola - e a Junta de Freguesia da Azinhaga está a fazer contactos para que também passem a realizar-se visitas escolares.Inaugurado há um ano, o pólo da Fundação José Saramago na Azinhaga possui uma livraria e um ciber-café no rés-do-chão, onde também se encontram os serviços administrativos, e no primeiro andar está um pequeno museu com objectos que pertenceram aos avós maternos do Nobel da Literatura.As estantes da livraria contêm a vasta bibliografia de Saramago em português e noutras línguas: "Manual de Pintura e Caligrafia", "A Jangada de Pedra", "O Homem Duplicado", "Todos os Nomes", "In Nomini Dei", "Viagem a Portugal", "Folhas Políticas", "Deste Mundo e do Outro", entre outros livros.No primeiro andar, o público pode ver, entre outros, objectos evocados por José Saramago no livro "As Pequenas Memórias", como a cama de ferro dos avós maternos - Jerónimo e Josefa - pintada em tons rosa, amarelo e verde, e a arca das favas, forrada com exemplares da época do jornal "O Século".A casa na Azinhaga onde o Nobel da Literatura nasceu, em 1922, já não existe - foi demolida entretanto, e no terreno, adquirido por particulares, foi construída uma vivenda - mas o lugar está assinalado com uma placa.Saramago viveu na Azinhaga, concelho da Golegã, até aos dois anos, deixando a aldeia com os pais, que se mudaram para Lisboa, mas voltou anualmente à aldeia para passar as férias do Verão até aos 15 anos.Os avós são duas figuras especiais dos afectos do escritor. Viviam de uma pequena criação de porcos na aldeia, e no livro "As Pequenas Memórias" o escritor recorda que, no frio do Inverno, levavam os bacorinhos mais débeis para a cama, para os aquecer, salvando-os de uma provável morte.O original deste livro, e a obra "Viagem a Portugal", estão em destaque no interior do pequeno museu onde os visitantes podem ver materializadas algumas recordações de Saramago.Apesar de terem passado mais de oito décadas e terem desaparecido muitos dos olivais que o Nobel da Literatura tanto adorava na aldeia, corre ainda o rio Almonda, outra recordação importante da infância e adolescência do escritor.No domingo, Saramago vai ser homenageado pela terra natal com a inauguração de uma estátua em bronze, criada pelo escultor Armando Ferreira, que ficará em frente do pólo da fundação, numa cerimónia pública organizada pela Junta de Freguesia por iniciativa do "Grupo Mais Saramago".A sede da Fundação José Saramago é partilhada por Lisboa e Lanzarote, onde o escritor vive com a mulher, Pilar del Río, desde 1993, e possui, além do pólo na Azinhaga, outro em Castril (Granada).

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