Cultura | 29-01-2010 13:36

Exposição do Museu da Judiciária em Santarém sensibiliza contra furtos em templos

Peças de arte sacra do Museu de Polícia Judiciária (PJ) vão estar expostas a partir de hoje, em Santarém, para contar a história dos bens furtados de igrejas e sensibilizar para a protecção deste património.Com recurso a meios multimédia, a exposição “SOS Igreja”, que resulta do projecto “Igreja Segura/Igreja Aberta”, é apresentada de forma inovadora, em sessões de 45 minutos que começam com uma cortina que se abre ao som de canto gregoriano para um espaço na penumbra onde uma "voz off" conta a história de cada uma das peças que vai sendo iluminada.Segue-se a encenação de alguns furtos, antes dos visitantes serem convidados a assistir a um filme que relata o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no âmbito do projecto “Igreja Segura/Igreja Aberta”, iniciado em 2003, que propõe medidas de protecção, escolhendo uma igreja piloto para servir de exemplo a seguir.A exposição, patente até 14 de Março no Convento de S. Francisco, termina com o exemplo da Diocese de Santarém, que implementou o projecto na Igreja da Piedade, uma intervenção que acabou por impulsionar uma acção mais ampla que visa abarcar as 111 paróquias da diocese.Leonor Sá, directora do Museu de Polícia Judiciária e comissária da exposição, disse à agência Lusa que a ideia do projecto surgiu da colecção de arte resultante de objectos furtados e recuperados pela polícia sem que possam ser devolvidos porque nunca se descobriu de onde provinham.Daí que a primeira vertente do projecto seja levar a que os responsáveis pelas Misericórdias e igrejas façam um inventário de todos os bens que possuem, de forma a que, numa situação de furto, possam ser reconhecidos e devolvidos à sua origem.A segunda visa a segurança, promovendo um controlo das chaves das igrejas e dos acessos no interior dos templos, delimitando áreas de acesso, e ainda a existência de vigilância diurna.O projecto tem passado pela realização de acções de formação destinadas a pessoas que têm alguma responsabilidade e acesso às igrejas, sendo, nomeadamente, distribuído um manual com instruções simples para prevenção dos furtos e do vandalismo, incluindo uma ficha de inventário com elementos básicos, que permitam um primeiro levantamento enquanto não é possível fazer um inventário científico e detalhado das peças, disse Leonor Sá.A exposição “SOS Igreja” insere-se na estratégia de chamar a atenção e servir de meio para transmitir a mensagem, destinando-se à população em geral, mas sobretudo a todos os que de algum modo têm responsabilidade ou acesso às igrejas.Segundo Leonor Sá, por acaso ou não, nos anos que se seguiram à implementação do projecto, entre 2003 e 2006, houve uma diminuição dos furtos de arte sacra em igrejas, tendo a partir de 2007 ocorrido um novo aumento.O projecto está em fase de reformulação, esperando Leonor Sá que em Fevereiro possa ser assinado um novo protocolo com os parceiros para dar “um novo fôlego ao projecto, essencialmente no eixo da formação”.

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