Cultura | 08-12-2010 00:15

Vila Franca de Xira assinala em 2011 o centenário do nascimento de Alves Redol

O concelho de Vila Franca de Xira vai estar durante todo o ano de 2011 a comemorar o centenário do nascimento de Alves Redol, um dos principais escritores da corrente literária neo-realista.Uma comissão, liderada pela Câmara Municipal e onde fazem parte elementos da Cooperativa Alves Redol, Associação Promotora do Neo-Realismo, Ateneu Artístico Vilafranquense, Secção Cultural do UDV, grupos de teatro amador do concelho e as escolas secundárias, está a preparar um conjunto de actividades onde se destacam feiras do livro, colóquios, palestras e reedição de várias obras do escritor, da responsabilidade da Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM).Além destas está prevista a realização de percursos temáticos a alguns dos locais onde o escritor buscou inspiração para as suas obras literárias, como Glória do Ribatejo. Segue-se a edição de selos comemorativos do centenário (da responsabilidade dos CTT), feiras de leitura, peças de teatro itinerantes pelo concelho e haverá também um concurso de grafitis para os mais novos. Em 2011 o Museu do Neo-Realismo terá uma exposição exclusivamente dedicada ao escritor. Algumas escolas do concelho vão ter uma programação dedicada exclusivamente a Alves Redol. Ainda não são conhecidos os custos do programa, que só será apresentado ao público no próximo ano.Alves Redol, natural de Vila Franca de Xira, é uma figura central do movimento neo-realista português e foi autor de uma vasta obra ficcional que inclui o teatro e o romance. Filho de António Redol da Cruz e Inocência Alves Redol, o escritor frequentou o colégio Arriaga, em Lisboa, concluindo o curso comercial. Escreveu sobre o mundo dos camponeses da Beira que iam fazer a ceifa do arroz ao Ribatejo (conhecidos por Gaibéus), dos avieiros, dos camponeses e dos pescadores. O seu primeiro artigo de opinião é publicado num jornal local quando tinha 15 anos. Foi empregado de escritório e acabaria por ficar na história pelo seu papel na luta anti-fascista. Iniciou a sua carreira literária em 1936 com o romance “Gaibéus”.Além deste Alves Redol deixou “Glória, uma aldeia do Ribatejo”, “Marés”, “Avieiros” e “Fanga”. A obra “Barranco de Cegos” de 1962 continua a ser, para muitos, uma das suas maiores obras. Além do romance o escritor colocou no papel as peças de teatro “Forja” e “O Destino Morreu de Repente”. Foi preso pela polícia política a 12 de Maio de 1944. Mais tarde filiou-se no Partido Comunista e morreu a 29 de Novembro de 1969, antes de vislumbrar a liberdade trazida pelo 25 de Abril de 1974. Em Vila Franca de Xira a sua memória está perpetuada no Museu do Neo-Realismo, na controversa estátua colocada na rua com o mesmo nome – Alves Redol – e num pilar colocado na principal escola da freguesia (Escola Secundária Alves Redol).

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