Cultura | 25-02-2016 14:28

Bocage fugia para o Ribatejo para não ser preso

Bocage fugia para o Ribatejo para não ser preso
HISTÓRIA

Círculo Cultural Scalabitano convidou Daniel Pires para falar do poeta que nasceu há 250 anos e tem o seu passado ligado ao Ribatejo.

Manuel Maria Barbosa du Bocage era um poeta que recusava os circuitos palacianos e nunca quis estar ligado ao novo riquismo existente no século XVIII, em Portugal, o que lhe trouxe muitos dissabores. Era habitual Bocage escrever poesia em que criticava os políticos e, por causa disso, era perseguido pela polícia. Nessas alturas tinha que fugir para não ser preso e era para o Ribatejo que vinha muitas vezes, vivendo na clandestinidade para não ser apanhado. Em Santarém tinha o seu amigo e protector José Salinas de Benevides que o ajudava sempre que o poeta se metia em apuros devido ao erotismo e à mordacidade dos seus poemas.

No entanto, a ligação de Bocage ao Ribatejo estende-se para lá de Santarém. Uma das muitas amadas do poeta, que nasceu em Setúbal em 1765, Maria Margarida, nos poemas apelidada de Marília, para não ter a identidade desvendada, era filha do cirurgião português Manoel Constâncio, que vivia na Quinta do Valle da Louza, no Sardoal. Bocage era muito amigo de Pedro Manuel Constâncio, irmão de Margarida, e terá sido através dele que o poeta conheceu Margarida, tendo-se perdido de amores.

Uma das muitas histórias que se contam é que Bocage ficou várias vezes hospedado na Quinta do Valle da Louza, escondendo-se num sótão da casa do médico cirurgião da Rainha D. Maria I, durante as suas fugas à polícia. Estas foram algumas das histórias partilhadas por Daniel Pires, presidente do Centro de Estudos Bocageanos, convidado da tertúlia promovida pelo Centro Cultural Scalabitano, que decorreu na noite de sexta-feira, 19 de Fevereiro, em Santarém.

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