Cultura | 01-07-2017 12:02

A técnica para pegar um toiro evoluiu e já não é para fracos de coração

A técnica para pegar um toiro evoluiu e já não é para fracos de coração
Da esquerda para a direita: Pedro Maria Gomes, José Maria Bettencourt, Paulo Pereira e Carlos Empis

Novos toiros lidados nas arenas chegam a pesar mais de 600 quilos.

Conseguir com sucesso pegar um toiro actualmente exige uma maior técnica, destreza e aprendizagem do que antigamente, devido sobretudo ao brutal aumento de peso destes animais nas últimas décadas. A ideia foi defendida num pequeno colóquio realizado na tarde desta quinta-feira, 29 de Junho, antes da corrida de O MIRANTE no Campo Pequeno.

No colóquio, moderado por Paulo Pereira, participaram Carlos Empis, ex-cabo dos Amadores de Santarém, Pedro Maria Gomes, cabo dos Forcados de Lisboa e José Maria Bettencourt, cabo do Aposento da Moita.

“As pegas evoluíram muitíssimo tecnicamente. Os forcados actualmente têm de ser grandes atletas, no meu tempo poucos iam ao ginásio sequer. Em contrapartida havia mais conhecimentos do campo, de lidar com os toiros no campo e aprender com eles. Improvisava-se mais, os forcados faziam pegas mais imprevistas. Actualmente não há muita margem para testar novas formas de pegar”, frisou Carlos Empis. Já Pedro Maria Gomes confirma: “Os toiros hoje têm mais nobreza mas também uma outra forma de investir”, alerta.

E Pedro conhece bem os perigos de calcular mal uma pega. “Já tive um acidente grave em que não me pude fardar durante quatro anos”, recordou. Antigamente, defendeu, os toiros eram “mais brutos” mas menos pesados, o que não dificultava tanto a pega.

“As condições da investida e o peso do toiro mudaram. Uma pancada de um toiro de 600 quilos não tem nada a ver com um toiro de 400 quilos. O tamanho leva-nos a ter medo e a pensar duas vezes”, notou Carlos Empis perante duas dezenas de convidados.

Uma certeza é que a forcadagem permite incutir valores fortes no indivíduo. Não ter medo, ser prudente, aprender a levantar depois de cair independentemente da dor e do sacrifício, cultivar a modéstia, a descrição e a firmeza são alguns deles.

“Quando se é escolhido para ser o forcado da cara é uma honra e um sinal extraordinário. Há muita responsabilidade mas é uma boa responsabilidade. A camaradagem é um sentimento incrível e inexplicável”, frisou José Maria Bettencourt.

* Notícia desenvolvida na edição semanal de O MIRANTE.

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