Cultura | 22-09-2018 14:09

Festival Materiais Diversos passa a bienal para aprofundar programação regular

Festival Materiais Diversos passa a bienal para aprofundar programação regular
A directora artística da associação Materiais Diversos, Elisabete Paiva

A edição de 2019 vai assinalar os dez anos do Festival Materiais Diversos, projecto iniciado pelo coreógrafo Tiago Guedes (natural de Minde).

O Festival Materiais Diversos, que desde 2009 se realiza todos os anos a partir de Alcanena, passará a ser bienal, com a próxima edição a acontecer em 2019, anunciou a organização.

“Era muito importante para nós ganhar espaço e tempo para reflectir e para aprofundar as nossas colaborações com os parceiros e com os nossos públicos”, disse a directora artística da associação Materiais Diversos, Elisabete Paiva, na sexta-feira, dia em que o festival começou com uma “micro apresentação” pelo Teatro do Ferro, no Largo 14 de Agosto, em Minde, local onde hoje, às 19h00, acontece o espectáculo “Objetoteca Popular Itinerante”, desenvolvido numa residência artística que decorreu ao longo da semana nesta vila do concelho de Alcanena.

Ainda na sexta-feira, houve passagens pelos jardins do Museu da Aguarela Roque Gameiro, em Minde, pelo cineteatro S. Pedro, em Alcanena, e pelo Centro Cultural do Cartaxo, para apresentação dos múltiplos projectos em curso nestes dois concelhos do distrito de Santarém.

“Desde a sua fundação, o festival cresceu muito, tem uma visibilidade nacional e internacional, mas interessa-nos muito compreender como é que podemos fazer melhor aquilo que já fazíamos a partir do lugar. Afirmar: ‘Estamos aqui’. E ganhámos espaço para uma programação regular, o que implica um habitar do território muito mais intenso, muito mais profundo, e muito mais oportunidades para diferentes públicos de se aproximarem de nós e dos artistas que convidamos”, afirmou Elisabete Paiva.

Assim, a edição de 2019, que vai assinalar os dez anos do Festival Materiais Diversos, projecto iniciado pelo coreógrafo Tiago Guedes (natural de Minde), vai acontecer no último fim de semana de Setembro em Minde e Alcanena e no primeiro fim de semana de Outubro no Cartaxo.

Com a passagem a bienal, “os processos de apresentação, de criação, ao longo de cada biénio vão poder reverter-se no festival com outra profundidade”, realçou.

Como exemplo, Elisabete Paiva apontou o espectáculo de teatro documental “Viagem a Portugal”, que estreará no festival, um trabalho do Teatro do Vestido, que na sexta-feira à noite promoveu uma conversa no cineteatro S. Pedro, dando conta da pesquisa em curso e que inclui três residências ao longo de dois anos em Alcanena.

O mesmo acontece com as criações para jovens públicos, que são coproduzidas pela Materiais Diversos, com oficinas para professores e para crianças, “com investimento em filosofia, em dança, em teatro”, e que depois serão apresentadas no festival.

“Com isto, acho que estamos a dar muito mais oportunidade aos nossos diferentes públicos”, disse Elisabete Paiva, referindo “a pressão para os resultados” sentida pelos artistas e as “próprias políticas culturais que, por vezes, não são amigas do tempo”.

“Para criar objectos artísticos verdadeiramente inovadores e interessantes, mas também com esta responsabilidade de olhar para os territórios com outra atenção e trazer as pessoas, desafiar os públicos a um olhar mais capacitado, é preciso mais tempo de encontro entre os artistas e as pessoas”, frisou.

Outra alteração anunciada por Elisabete Paiva foi o facto de a Materiais Diversos ter deixado de ter “artistas associados” para passar a ter “projectos associados”, recebendo ou fazendo propostas para serem construídas “a partir do lugar, a partir de pesquisas no lugar ou a partir de mecanismos de participação das pessoas do lugar” ou mesmo de recuperação do espaço público, onde quer passar a “programar mais”.

“Não estamos a abandonar os artistas, a apoiar menos, mas a apoiar de uma outra forma, até podendo diversificar o leque de artistas que estamos a apoiar”, disse, exemplificando com a bolsa “Filhos do Meio”, que disponibiliza aos artistas do distrito de Santarém uma estrutura “profissional, que tem o apoio estatal para cumprir esse desígnio”.

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