Cultura | 09-11-2018 07:00

Criadores não poupam tempo e dinheiro para conseguirem o canário mais belo

Criadores não poupam tempo e dinheiro para conseguirem o canário mais belo

As medalhas enfeitam as gaiolas de Daniel Prates e Pedro Fonseca, do Clube Ornitológico de Vialonga, que organizam e participam na Avixira, uma das maiores exposições de aves de Portugal.

“Ainda há quem não saiba o que é um clube ornitológico, mas estamos a conseguir atrair mais pessoas à exposição”, diz Daniel Prates a
O MIRANTE. A Avixira reuniu este ano cinco mil aves de criadores internacionais, no Pavilhão Multiusos, de Vila Franca de Xira, despertando a paixão e orgulho dos criadores, mas também a curiosidade dos leigos nestas matérias.
Aos 41 anos, Daniel Prates é dirigente do Clube Ornitológico de Vialonga e criador de canários, há 12 anos. Já foi três vezes campeão nacional, em 2012, 2014 e 2016 e em todas os campeonatos em que participa conquista medalhas para adornar as suas gaiolas.
Começou a desenvolver a sua paixão por aves em miúdo, através de um vizinho que lhe “pegou o bichinho” pela passarada. “Deu-me um casal de canários amarelos e a partir daí comecei a fazer a minha própria criação”, conta. Hoje tem 50 casais a procriar e depois da reprodução chega a ter 300 aves, mas só as melhores vão para exposições e concursos. A procura incessante pelo apuramento da raça, das melhores poses, plumagem e constituição física da ave é que faz com que este criador atinja boas classificações nos concursos.
“Ter bons progenitores é meio caminho andado para conseguir aves premiadas. Se houver um mau temos imediatamente de o substituir por outro que cumpra as suas funções e alimente devidamente as crias”, sublinha o criador Pedro Fonseca, actual vice-presidente do Clube Ornitológico de Vialonga. Com 48 anos, já conquistou vários prémios em concursos nacionais e internacionais. Este ano, na Avixira arrecadou um primeiro e terceiro prémios com os canários gloster - espécie oriunda da Inglaterra.
Estreou-se com um casal de periquitos, mas foram os canários que lhe aguçaram a paixão pela criação de aves. O interesse surgiu em criança quando começou a pendurar gaiolas na varanda, sem que “os pais achassem muita piada”. Depois de se reproduzirem trocava alguns espécimes com outros colegas de escola. “Eram outros tempos, agora não há muitos miúdos que tenham interesse por pássaros. Têm outras distracções”, frisa.

Uma espécie de desfile de moda
Participar em concursos e exposições exige muito trabalho, dedicação, mas também muitos euros gastos em alimentação e suplementos vitamínicos, para que as aves estejam no auge da sua saúde e aparência física. “É como se fosse um desfile de passerelle, onde o manequim está a ser avaliado por um júri. Tudo tem de estar impecável, desde a postura, atitude, plumagem, bico e unhas”, explica Daniel Prates. Para que tal seja possível, em média estes criadores gastam entre uma a duas centenas de euros por mês.
Terminada a exposição, as aves retornam aos seus criadores e residência habitual. Os canários de Daniel Prates têm uma garagem só para si, onde “o carro não entra”. Durante o período de luz solar, o chilrear é intenso, mas “não incomoda os vizinhos”, que até “apreciam” o som. Os 24 casais de canários, de Pedro Fonseca estão num anexo da sua moradia e os vizinhos “demasiado longe” para se incomodarem com o piar das aves.

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