Desporto | 26-02-2008 09:46

Joana Patrício tem o sonho de fazer uma carreira profissional no ciclismo internacional

Uma etapa do “Tour” de França em ciclismo vista em directo na televisão na companhia do pai despertou o clique que ainda não se tinha manifestado em Joana Patrício e a paixão pelo ciclismo. Foi com 16 anos, na Várzea Fresca, concelho de Salvaterra de Magos, de onde é natural. Um mês depois o pai já lhe tinha comprado uma bicicleta. Dali à competição federada foi um passo. Actualmente Joana Patrício é atleta da categoria de elites do Clube de Ciclismo José Maria Nicolau (CCJMN), do Cartaxo. Em 2007, época de aprendizagem na categoria de sub-23 – entretanto abolida para dar lugar à de elites – conquistou vitórias. Em Santarém, Vila Chã de Ourique, conquistou o troféu Norte alentejano em BTT e o campeonato regional de BTT e de Estrada. Já em 2008 ganhou a Maratona do Cartaxo e da Ota, provas de 60 quilómetros em BTT. “O meu maior sonho é vir a correr em Espanha, França ou Itália entre as melhores. Acho que está muito próximo, basta acreditar. E também devo fazer alguma prova em Espanha pela equipa que vai ajudar a mostrar o meu valor”, confia Joana Patrício. Que reconhece que no país não há grande desenvolvimento do ciclismo feminino por falta de apoios, apesar de haver corredoras com potencial. Após descobrir a paixão pelas bicicletas Joana começou a pedir ao pai que a levasse aos passeios de cicloturismo no concelho e no distrito. A sua primeira equipa foi o Frade de Cima, Alpiarça, mas quis mais. Pediu ajuda ao Clube de Ciclismo de Alpiarça e mais tarde, em pesquisas na Internet, descobriu o CCJMN. Enviou uma carta e recebeu resposta passado duas semanas para se apresentar “que fariam o possível para a ajudar”. Tinha 16 anos, mas só começou como júnior de primeiro ano, “algo inesquecível”. Obteve duas vitórias a nível nacional e um terceiro lugar nos campeonatos nacionais. No segundo ano como ciclista alcançou cerca de dez vitórias em 30 prova anuais. Corridas com distâncias entre os 50 e os 70 quilómetros, em percursos de cidade, em campo aberto e pinhais.Joana Patrício já tinha praticado futsal com as amigas da Várzea Fresca. Inscreviam-se em torneios locais por pura brincadeira. “Sempre fui muito virada para ao desporto”, acrescenta.O que não a fez desviar-se dos estudos. Está no primeiro ano do curso de Enfermagem, em Portalegre. É lá que estuda até às 14 horas. Daí em diante treina com a bicicleta nas ruas da cidade e arredores. Nunca menos de 70 a 80 quilómetros diários. O trabalho escolar fica para a noite. Mas o curso que irá ficar “congelado” se a oportunidade profissional surgir.Os fins-de-semana servem para matar saudades do namorado Joel, e dos pais que a apoiam totalmente, a quem diz um “olá”. Mas os sábados e domingos não passam sem mais treinos. Como o do domingo de manhã em que falou com o MIRANTE sob orientação do seu técnico, Luís Nepomuceno. Teve de completar três séries de cinco subidas desde a Ribeira de Santarém até junto à Escola Secundária Sá da bandeira, para ganhar “caixa de ar”. O gosto é sempre o mesmo, apesar de nalguns dias pensar que gostaria mais de ficar a dormir. O CCJMN paga a estadia, equipamentos e alimentação da ciclista durante as competições. Joana só tem de dar a bicicleta, a força e a vontade. Cerca de 30 fins-de-semana do ano estão ocupados com ciclismo de competição. Os restantes com treinos. Mas não se pense que Joana faz vida de monge. “Aproveito para passear no fim dos treinos, ir ao cinema. Tento evitar saídas nocturnas mas gosto de estar com os amigos. “E aproveito ao máximo o tempo com o namorado”, graceja.Para quem quer seguir o ciclismo a sério o regime alimentar é uma regra. Joana Patrício come as típicas, massas habitais no menu dos ciclistas, o que não quer dizer que não coma outras coisas. “Como ir ao Macdonalds ou comer uma pizza uma vez por mês”, exemplifica.Para 2008 os objectivos de Joana são claros. Ganhar a Taça de Portugal constituída por quatro provas e ficar nos três primeiros dos campeonatos nacionais. Além de tentar ganhar o maior número de vitórias nas resultantes provas a nível nacional sem esquecer a oportunidade de “dar o salto”.

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