Desporto | 27-05-2009 07:38

Antigo dirigente do Coruchense notificado para pagar 212 mil euros às finanças

Dezasseis ex-dirigentes e ex-membros de comissões administrativas do Grupo Desportivo “O Coruchense”, clube que está desactivado, foram notificados pela Direcção de Finanças de Santarém para assumirem pessoalmente o pagamento da dívida do clube ao fisco correspondente ao período entre 2002 e 2008. Os valores a pagar variam entre os 212 mil e os 73 euros e os notificados correm o risco de ver penhorados os salários ou bens pessoais se não pagarem. A notificação chegou sexta-feira aos ex-dirigentes sob forma de reversão da dívida, estimada em mais de 300 mil euros, já que as Finanças não encontraram qualquer património do clube que pudesse ser penhorado. Um dos valores que mais contribuiu para a dívida foi o não pagamento de 147 mil euros de IVA respeitantes à doação de um terreno no Montinho do Brito, propriedade do Coruchense, à câmara, para ali ser construído o estádio municipal. Em contrapartida a autarquia teria de construir uma sede para o clube no valor de 200 mil euros. A doação foi feita em 2001. A construção da sede do clube foi adjudicada em Maio último, oito anos depois, já com O Coruchense de “rastos”.Para o acumular da dívida contribuíram ainda montantes incumpridos de IVA e de IRC, juros de dívidas e juros de juros. Segundo Carlos Galamba, um dos ex-dirigentes mais penalizados, o grosso da dívida refere-se aos anos de 2001 e 2002, e respeita a IVA e IRC por liquidar. “Pertenci a uma comissão administrativa em 2003-2004 e integrei de início a direcção presidida por Joaquim Capricho como tesoureiro, mas apresentei de imediato a demissão à assembleia-geral. Agora, sem ter culpa que as Finanças não tenham conhecimento dessa comunicação, sou confrontado com uma notificação de dívida de 212.287 euros e a ameaçado de ficar sem a casa e o carro”, explica Carlos Galamba a O MIRANTE.O ex-dirigente diz ainda ser muito estranho como a Direcção de Finanças é capaz de instruir um processo referente a dívidas de IVA de 2002, dois anos e dois meses depois. Além de Carlos Galamba, outros três dirigentes da direcção presidida por Joaquim Capricho, recentemente falecido, foram notificados. Há ainda ex-membros de comissões administrativas citados para pagar valores entre os 27 e os 29 mil euros e da direcção cessante em 2008, 6 700 euros para alguns dirigentes.Os valores mínimos de dívida respeitam à não cobrança de Imposto Municipal sobre Imóveis, tendo sido notificados três elementos para pagarem 73 euros cada um. Neste rol inclui-se o cavaleiro tauromáquico João Palha Ribeiro Teles. Esta terça-feira 12 dos 16 ex-dirigentes citados reuniram nos Paços do Concelho com o presidente da câmara, a assessora jurídica e o chefe de divisão financeira para exporem a situação. Segundo Carlos Galamba o presidente da autarquia disse que a situação vai ser analisada mas da reunião não saiu qualquer proposta concreta das partes. Quanto à sede de O Coruchense a construir, que a câmara passou a denominar de edifício administrativo de apoio ao estádio municipal, Carlos Galamba entende que não será solução avançar para a sua construção e entregue ao clube, correndo o risco de ser imediatamente penhorada. O presidente da Câmara de Coruche, Dionísio Mendes, disse a O MIRANTE que não prestava declarações à comunicação social sobre esse assunto.Uma reportagem com desenvolvimentos na edição impressa de O MIRANTE esta quinta-feira nas bancas.

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