Desporto | 27-05-2009 12:28

Rui Manhoso acusa Finanças de estarem a matar o futebol amador

Rui Manhoso acusa Finanças de estarem a matar o futebol amador
A Associação de Futebol de Santarém tem conhecimento dos problemas porque os clubes estão a passar, com a notificação dos ex-dirigentes para pagar dívidas antigas ao Fisco e à Segurança Social. “Dívidas que foram encontradas de uma forma pouco correcta”, segundo o presidente da associação, Rui Manhoso.O presidente do Ferroviários do Entroncamento está a responder em tribunal, ex-dirigentes do União de Santarém, Abrantes Futebol Clube e Coruchense, já receberam notificações para pagar dívidas antigas, que vêm do início da década. “Até parece que querem acabar com o futebol amador. Os ex-dirigentes das SAD’s do desporto profissional não estão a ser responsabilizados como os carolas que estiveram à frente dos clubes amadores”, refere o presidente da associação.Para Rui Manhoso esta situação pode ditar o fim do desporto amador no distrito de Santarém. “São dívidas antigas, de um tempo em que as exigências do Fisco não eram tão rigorosas e as contas dos clubes eram feitas de uma forma muito incipiente. De repente apertaram o cerco e lançaram impostos sobre lucros que os clubes nunca tiveram. É uma situação de grande injustiça”, garante.O presidente da associação que já esteve presente em reuniões com outras associações garante que a notificação de ex-dirigentes só acontece no distrito de Santarém. “Voltamos a ser pioneiros nestas situações, situação que me entristece. Mas a Associação de Futebol de Santarém está preparada para dar apoio aos dirigentes. Aconselhamos os clubes a impugnar a 1ª acção e por fim deixar mesmo andar as coisas para tribunal”, referiu.Para Rui Manhoso é preciso que o Governo e as Finanças revejam esta situação. “Actualmente os clubes estão a cumprir com o que lhes é exigido no plano de contabilidade, mas continuam assoberbados com as dívidas que lhes foram imputadas há muitos anos atrás”.Contactado por O MIRANTE, o director de Finanças do distrito de Santarém, Mário Januário garantiu que não é só no seu distrito que esta situação está a acontecer. “Infelizmente é uma realidade nacional. E aqui no distrito de Santarém tenho feito tudo para que os clubes entrem no bom caminho, fiz reuniões onde lhes expliquei a forma como devem trabalhar, mas foi em vão, pouca coisa se modificou”, garantiu.Sem o referir em concreto a qualquer clube ou situação, Mário Januário deixou no ar que mais notificações podem ser enviadas a qualquer momento, e garantiu que não é certo que os clubes estejam a cumprir com o Fisco e a Segurança Social. “Essa é outra situação que me entristece. Apesar de todos os avisos, de todo o tempo de espera que fui dando aos clubes, continuam a cometer os mesmos erros. No relatório que tenho em meu poder o valor das dívidas dos clubes aumentou substancialmente. Em 2006 a dívida era de um milhão e quatrocentos e sessenta e cinco mil euros, neste relatório do final de 2008, a dívida já se cifrava em um milhão seiscentos e setenta e seis mil euros. E nesta altura já evoluiu no pior sentido”, referiu o director, que acrescentou não haver qualquer perseguição aos clubes. “Estamos sempre dispostos ao diálogo e a ajudar a resolver os problemas, mas os dirigentes têm que perceber que há leis a cumprir”.

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