Economia | 10-04-2006 17:54

Trabalhadores e administração da Cimianto não se entendem

Uma greve de três dias foi o último protesto dos trabalhadores da Cimianto, empresa produtora de fibrocimento em Alhandra. De terça a quinta-feira, os trabalhadores paralisaram o sector produtivo da empresa e chamaram à atenção para as razões do conflito laboral com a administração. Sem qualquer sinal de reconciliação entre a entidade patronal e os trabalhadores, o litígio vai continuar.

Em causa estão a imposição das 50 horas semanais de trabalho e o despedimento e levantamento de processos disciplinares aos trabalhadores que recusam aceitar o novo horário. Os trabalhadores contam com o apoio do Sindicato dos Cerâmicos do Sul que exige a redução do horário.”Não aceitámos o que nos queriam impor, por isso armaram uma cilada para nos suspender e depois mandaram-nos embora, com 20 anos de casa”, disse Fernando Brás, um dos trabalhadores despedidos, que se manifestou em frente aos portões da empresa.Recorde-se que a Cimianto pretende a adaptabilidade do horário de trabalho há dois anos, mas os trabalhadores mostraram o seu desacordo movendo um processo judicial, cuja sentença deve ser conhecida dentro de dias. Sem acordo, a empresa não fez actualizações salariais aos trabalhadores.Segundo o vice-presidente do Conselho de Administração da Cimianto, Vítor Costa, a contenção de custos é imprescindível e há que melhorar a produção. “Se eu trabalho 10 horas por dia, porque razão estes trabalhadores não entendem que é mais fácil fazê-lo do que realizar turnos?”, acrescentou. O administrador justificou o despedimento e a suspensão de alguns trabalhadores com comportamentos inadequados. “Foram apanhados, fechados à chave, dentro de um gabinete a descansar e a fazer o horário que queriam, não o que a empresa quer”, referiu.

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