Economia | 11-05-2006 10:12

Muito debate, pouco público

A primeira Feira Social do distrito de Santarém, que decorreu entre os dias 4 e 7 de Maio no pavilhão de exposições da NERSANT (Associação Empresarial da Região de Santarém), em Torres Novas, ficou algo aquém das expectativas da maioria dos participantes, que esperavam ver um maior número de visitantes no certame. Mesmo assim, a iniciativa foi aplaudida pela capacidade de criar um espaço de discussão acerca das questões sociais e pelo esforço de criar um elo de ligação entre as várias instituições de solidariedade social do distrito.A falta de apoios para a concretização de projectos sociais e a necessidade de incentivar o voluntariado foram temas de abordagem permanente entre a maioria dos técnicos presentes na Feira Social. Dificuldades que enfrentam diariamente e para as quais nem sempre conseguem uma resposta positiva.“Nós queremos sempre fazer mais e melhor. Mas não é fácil. A grande dificuldade está em saber gerir uma casa destas, com os fracos apoios que temos por parte da Segurança Social e as curtas reformas dos nossos idosos. É uma tarefa complicada que só se concretiza com muito boa vontade”, explica Cristina Ribeiro, animadora cultural do Centro de Bem Estar Social de Vale Figueira.Par lá dos apoios governamentais, dizem os responsáveis pelas instituições, a solução para os problemas económicos que atravessam poderia passar pelo voluntariado. No entanto, essa é uma realidade que se mostra difícil de alcançar.“É muito difícil encontrar voluntários, porque as pessoas não se mostram disponíveis para agarrar projectos deste género. Este é um trabalho difícil, desgastante e muito exigente. Por isso, é preciso incentivar o voluntariado. Com a ajuda de todos, é mais fácil atingir os objectivos a que nos propomos”, defende Rosário Correia, assistente social da Fundação Francisco Cruz, de Santarém.E há quem tenha objectivos bem definidos. Quando o Grupo de Amigos, Avós e Netos de Lapas (Torres Novas) decidiu participar na Feira Social, sabia bem o que pretendia: “Viemos cá para apresentar um projecto de construção para o lar de idosos que queremos construir. Já temos alguns apoios verbais por parte da câmara e agora a directora da Segurança Social também já conhece o projecto. É uma obra um bocadinho cara, por isso não podemos avançar sozinhos. E não custa muito reforçar o pedido. Vamos ver...”, diz Jacinta Trincão, presidente da direcção.Ficam os pedidos de auxílio, numa altura em que os profissionais da área social sentem necessidade de ser ouvidos e de ouvir os seus pares, como explica Cristina Ribeiro: “Cada vez é mais preciso debater as questões sociais, no sentido de encontrar soluções para ultrapassar os obstáculos que enfrentamos diariamente. Torna-se muito importante criar espaços de discussão entre os técnicos da área, para que consigamos caminhar mais seguros, no meio de tantas incertezas”.

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