Economia | 27-04-2008 16:04

Arranque de vinha pode significar uma oportunidade para o Ribatejo

Arranque de vinha pode significar uma oportunidade para o Ribatejo
A reforma da Organização Comum de Mercado (OCM) do sector vitivinícola, que prevê o arranque de cerca de 12 mil hectares de vinha em Portugal, pode significar uma oportunidade para os vinhos ribatejanos. Pelo menos essa é a convicção de entidades ligadas ao sector que perspectivam o arranque de vinhas velhas, o fim de pequenas parcelas sem rentabilidade e em consequência disso um aumento da qualidade dos néctares da região e ao mesmo tempo uma forma de fazer o mercado funcionar com mais vantagens para os viticultores que neste momento estão a vender as suas produções a preços muito baixos. Segundo o presidente da Comissão Vitivinícola Regional Ribatejana (CVRR), a reforma deve ser aprovada durante o mês de Maio na União Europeia. Depois prevê-se que Portugal regulamente as condições de arranque a nível nacional até Agosto. E é possível que ainda durante este ano possam começar as acções de arranque de vinha em algumas zonas. Castro Rego não se mostra preocupado e considera que a nível europeu a redução da área ocupada por vinhas é uma forma de diminuir o excesso de vinho, apesar de considerar que Portugal não é dos que mais contribui para os excedentes, ao contrário de países como Espanha e Itália.Para Castro Rego, a redução da área de vinha, cuja área afectada no Ribatejo ainda não é expectável, vai fazer com que haja menos destilação de vinhos e menos intervenção do Estado na regulação do mercado. O presidente da CVRR perspectiva uma “adesão forte” dos agricultores ribatejanos para o arranque da vinha, sendo que as pessoas que têm mais de 55 anos e os que possuem áreas mais reduzidas têm prioridade. “Há muitos produtores que acham que a vinha já não é rentável e que estão dispostos a arrancá-la”, reforça Castro Rego, acrescentando que menos vinhas, sobretudo as mais velhas, “vai contribuir para um aumento da qualidade média do vinho ribatejano”. Da mesma opinião é a técnica da Viticartaxo - Associação de Vitivinicultores da Região do Cartaxo e Azambuja. Marisa Dias explica que o “mercado do vinho tem andado em baixo devido ao excesso de produção, com os agricultores a venderem as produções a preços muito baixos”. Pelo que a redução da área vai fazer subir os preços e tornar a cultura mais rentável. “Pode ser que venha dar mais ânimo à viticultura”, perspectiva. A organização dá apoio a muitos pequenos agricultores e Marisa Dias prevê que no concelho do Cartaxo sejam arrancados “uns bons hectares de vinha”. De entre os cerca de 400 sócios da associação cerca de 25 por cento são pequenos viticultores com áreas de cultivo com um ou dois hectares. Segundo o presidente da CVRR, 20 por cento do vinho produzido na região não chega a entrar no mercado. União Europeia paga para arrancarO regime de arranque voluntário da vinha tem um prémio de incentivo da União Europeia regressivo à medida que passam os anos. Assim para 2009 está previsto um montante de compensação de 6.621 euros por hectare, que passa a 6.070 em 2010 e 5.518 euros em 2011. No entanto prevê-se para 2015 a liberalização do plantio da vinha, deixando de haver intervenção do Estado. Ou seja, a reforma actual é uma tentativa de acabar com as vinhas pequenas, velhas e de fraca qualidade e regular o sector para depois o deixar entregue à concorrência de mercado. E pode dar-se a possibilidade de haver pessoas que agora ganhem dinheiro com o arranque da vinha e depois, a partir de 2015 voltem a plantar.

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