Economia | 07-05-2009 14:01

Quatro dezenas de empresários da região queixam-se de práticas abusivas dos bancos

Quatro dezenas de empresários já comunicaram à Associação Empresarial da Região de Santarém – Nersant o que consideram ser práticas abusivas por parte dos bancos. Na generalidade queixam-se de pagar taxas de juro entre os 18 e os 20 por cento quando se atrasam no pagamento de livranças e letras, ou quando ficam com a conta bancária em valores negativos. Para a Nersant é aceitável a aplicação de taxas até 10 por cento, mas o que for além disso “não é aceitável”. O presidente da associação, José Eduardo Carvalho, acredita que há mais empresários alvos destas situações mas “têm medo” de as divulgar porque “temem represálias”, sobretudo quando têm necessidade de recorrer ao crédito. “O mercado de crédito está a funcionar mal, há muitas restrições e os que ainda têm crédito na banca estão em situação privilegiada”, justifica. E acrescenta que aguarda que haja uma maior contenção por parte das instituições bancárias. José Eduardo Carvalho disse a O MIRANTE que estas situações vão ser reencaminhadas para a Associação Industrial Portuguesa (AIP) que está a reunir as situações a nível nacional. E esclarece que estas práticas são transversais a praticamente todos os bancos, dando como exemplo a Caixa Geral de Depósitos, Santander, BES, Finibanco… Para o presidente da Nersant os bancos queixam-se de dificuldades e para consolidarem a sua situação financeira “estão a financiar-se no mercado praticando taxas superiores às que eram praticadas antes de se começar a falar na crise”. Situação que está a prejudicar as empresas que também estão a viver momentos de dificuldade económica. “Não há negócio que tenha margens de lucro que consiga aguentar a aplicação destas taxas por parte da banca”, sublinha. Num comunicado da associação empresarial diz-se que já estão agendadas reuniões com ministros e com os presidentes dos principais bancos na tentativa de se encontrar uma solução. Para reforçar as queixas das empresas em relação a estas “práticas abusivas”, a Nersant pediu aos associados para lhe enviarem cópias dos extractos de operações bancárias que incluam taxas acima dos 10 por cento. Como exemplo anexou um extracto do BES que indica a aplicação de 20 por cento de juro no pagamento atrasado de uma letra bancária em que a empresa teve que pagar 359 euros de juros, imposto e comissão de cobrança.

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