Economia | 20-05-2009 07:41

Trabalhadores da Platex mantêm bloqueio de saída e entrada de viaturas da fábrica

Os trabalhadores da IFM/Platex, em Valbom, Tomar vão manter a vigília em frente à empresa, bloqueando a entrada e saída de qualquer veículo da empresa. Na terça-feira, 19, na sequência de uma reunião realizada na Câmara de Tomar entre o presidente da autarquia, Corvelo de Sousa, administração e representantes dos trabalhadores foi apresentada a proposta de pagamento de parte do salário (menos de 50%) até ao final desta semana. Mas os trabalhadores recusaram e reivindicam o pagamento do salário de Abril na sua totalidade. Dizem que enquanto não tiverem o dinheiro na conta não arredam pé dali, contando com um bidão como aquecedor a lenha e com a solidariedade de quem lhes entrega comida e bebida. A administração da empresa ordenou a paragem da laboração no início de Abril, alegando falta de meios financeiros e pretende colocar 200 dos 240 trabalhadores em lay-off, situação que só é possível depois do pagamento deste salário. À luta dos trabalhadores associam-se agora os madeireiros que, segundo O MIRANTE apurou no local, também têm milhares de euros para receber de matéria-prima já entregue. Muitos trabalhadores protestam mas preferem não dar a cara. Por isso foi eleito como porta-voz do grupo António Basílio, um dos mais antigos trabalhadores da empresa. “As famílias estão a passar por momentos difíceis e até já houve quem tirasse os filhos do jardim-escola”, apontou o trabalhador. O presidente da Associação Empresarial da Região de Santarém (NERSANT), José Eduardo Carvalho aponta que esta tomada de posição por parte dos trabalhadores pode prejudicar um desfecho positivo da situação. “Penso que esta atitude de impedir que os quadros da empresa possam sair nas suas viaturas, perante a complacência das autoridades, é como se tivéssemos a regredir trinta anos na nossa sociedade”, critica. O responsável considera ainda que a situação não está a ser gerida de forma mais correcta o que provoca um crescente clima de tensão, recordando que há cerca de dois meses foi criada uma comissão constituída por NERSANT, Sindicatos (UGT e CGTP) e Governo Civil de Santarém para acompanhar as situações mais complicadas das empresas do distrito, entre as quais a IFM/Platex.Entretanto, o deputado Miguel Relvas (PSD), eleito pelo distrito de Santarém, acusou o Governo de um "silêncio horrível" em relação à situação que se vive na IFM. "É altura do senhor ministro (da Economia) ter o bom senso de ter uma solução para os 250 trabalhadores que têm o seu posto de trabalho em risco" nesta empresa, disse Miguel Relvas, actual presidente da Assembleia Municipal de Tomar.Para presidente da Câmara Municipal de Tomar, Corvêlo de Sousa, (PSD), é incompreensível que o Governo, “que já largou milhões em vários sectores”, não venha a apoiar uma empresa que é viável, dá um contributo importante para as exportações e que só precisa de “um empurrão” para recuperar da situação que atravessa. O autarca frisou que a reunião promovida no salão nobre da câmara visou apenas restabelecer o diálogo entre a administração e os trabalhadores, tendo em conta a importância da empresa para o concelho.

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