Economia | 13-11-2013 14:57

Indústrias electrónica e agro-alimentar chinesas vão ser alimentadas com pasta de papel produzida em Constância

Indústrias electrónica e agro-alimentar chinesas vão ser alimentadas com pasta de papel produzida em Constância

Grupo Altri assinou contratos de investimento no valor de 65 milhões de euros com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. Mais de metade deste valor vai ser aplicado na fábrica de Constância que passa a produzir, em exclusivo, a pasta solúvel.

A fábrica de pasta de papel da Caima, em Constância, vai receber um investimento do governo de 35 milhões de euros, tornando-se na única fábrica em Portugal, e das poucas na Europa, a produzir pasta solúvel que será aplicável, por exemplo, nas indústrias agro-alimentar e electrónica chinesas. O investimento, que vai ser aplicado nos próximos três anos, resulta da assinatura dos contratos celebrados entre a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), a Caima e a Celbi (grupo Altri) que decorreu na manhã de sexta-feira, 8 de Novembro, no Centro Náutico de Constância. A cerimónia contou com a presença de muitos convidados, destacando-se o vice primeiro-ministro Paulo Portas e o ministro da Economia, António Pires de Lima. O investimento vai transformar “o perfil” da unidade industrial” de Constância.O presidente do grupo Altri (composto pela Celbi, Caima e Celtejo, três fábricas de pasta de eucalipto branqueado com uma produção anual nominal de cerca de 900 mil toneladas), Paulo Fernandes, disse que a produção de pasta solúvel será uma realidade na Caima já a partir de 2015 representando “um produto com valor acrescentado” que pode ser aplicado, por exemplo, nas indústrias agro-alimentar, electrónica farmacêutica ou têxtil. Segundo disse Paulo Fernandes, mais de 95% da produção global da Altri destina-se ao mercado externo, “da Europa à China”, tendo afirmado que a pasta solúvel vai ser exportada na totalidade para os mercados de China e Taiwan.“A pasta solúvel, produto que a Caima vai produzir em exclusivo, coloca-nos na vanguarda da indústria”, considerou Paulo Fernandes. “A Caima, que celebra 125 anos de existência, é uma das mais eficientes e respeitáveis empresas a nível internacional. Portugal tem know-how e condições únicas para ser um referencial da indústria da floresta e da pasta de papel”, disse, acrescentando que a Altri investiu, nos últimos seis anos, cerca de mil milhões de euros nestes sectores. O presidente do conselho de administração da Altri apelou a que se utilizem os recursos do próximo Quadro Comunitário de Apoio 2014-2020 para a reflorestação do país. “A floresta é um manancial de riqueza para Portugal. Nunca foi uma tarefa fácil mas é possível colocar a floresta como desígnio nacional. Nos últimos dez anos, a nossa área florestal diminuiu ao contrário do que aconteceu na vizinha Espanha ou no Brasil”, exemplificou. O vice-primeiro, Paulo Portas, congratulou-se com a audácia do grupo Altri, reconhecendo que a AICEP facilitou o processo de atribuição de apoios. “Concluímos, num prazo célere, a junção de vontades: a vontade de um privado investir e a vontade do Estado facilitar o investimento”, disse, felicitando a administração do grupo Altri, “um dos grupos industriais portugueses com mais força e pujança” no panorama nacional e internacional. A presidente da Câmara de Constância, Júlia Amorim (CDU), disse a O MIRANTE que vê este investimento “com muita felicidade”, tendo em conta os tempos difíceis que os portugueses estão a atravessar. “Uma empresa privada receber este investimento só nos pode deixar satisfeitos. É bom para o país, para o concelho e para a região”, disse a autarca.

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