Economia | 06-04-2016 16:58

Apicultores querem mais divulgação da actividade

I Encontro Apícola de Coruche decorreu durante dois dias. Sessões de esclarecimento com entidades e visitas a apiculturas foram as propostas contempladas no programa da iniciativa, que é para continuar.

Cerca de 35 apicultores e mais uma dezena de curiosos participaram no I Encontro Apícola de Coruche, uma iniciativa que decorreu nos dias 1 e 2 de Abril no Observatório do Sobreiro e da Cortiça em Coruche. O MIRANTE compareceu no segundo dia, aberto ao público, e falou com a apicultora Edite Ferreira que explora uma apicultura no Montinho do Corvo - Escusa, na freguesia do Couço, concelho de Coruche, visitada durante os trabalhos.A visita levou àquela UPP - Unidade de Produção Primária cerca de 20 pessoas que conheceram o espaço preparado para visitas de crianças e de outros interessados. “Aqui conseguimos que as crianças nos visitem, mas é uma minoria”, disse-nos Edite Ferreira alertando para a falta de informação e formação da população em geral sobre esta actividade em Portugal.Edite Ferreira, 53 anos, trabalha neste momento a tempo inteiro na apicultura e admite que os rendimentos que obtém da sua exploração ainda não são suficientes para que considere o seu exercício uma profissão. “Nesta fase consigo escoar todo o meu produto em feiras e eventos, porque não tenho uma grande produção. No ano passado consegui escoar uma parte significativa do produto a umas meleiras (unidades industriais de produção de mel), mas vamos vendo ano a ano”, afirmou. A apicultora acrescentou que deveriam ser dadas mais liberdades às UPP. “A lei é limitadora: se eu fornecer o produto a um cliente do Algarve, por exemplo, a lei não nos permite, pois não é possível vender para fora da região, só se nos visitarem cá ou em feiras”, apontou, referindo que os produtores rurais têm um limite de produção de 650 kg por ano.“No fundo queremos a mudança de mentalidades e da posição que as pessoas têm em relação à abelha, que é assustadora, um insecto que ferra. Devia ser mais divulgado”, reforçou Edite Ferreira, fazendo votos de que haja mais eventos dessa natureza que divulguem a importância da apicultura.Um apicultor emigrante que conhece duas realidadesAntónio Violante, 54 anos, foi outro dos apicultores presentes no encontro e a O MIRANTE referiu que há muitas diferenças entre a lei em Portugal e em Inglaterra, onde vive desde os anos 1960 e onde tem uma exploração no seu quintal vizinho de outras casas. Situação “impensável em Portugal”, disse. “Em Inglaterra vendem-se enxames de abelhas com pessoas a passar na rua e temos produtos e pesticidas homologados que cá são proibidos”, sublinhou. Natural de Sines o apicultor nos tempos livres volta a Inglaterra dentro de dias e afirmou que em Portugal a actividade está muito limitada com multas e nenhum apoio.O emigrante, de passagem rápida pelo Encontro Apícola em Coruche, alertou ainda para a falta de informação em torno da actividade. “O mel traz muitos benefícios para a saúde, há anos que não apanho uma constipação”, disse António Violante.Organizar os produtores e promover o mel da regiãoO presidente da Câmara de Coruche, Francisco Oliveira, falou com O MIRANTE e afirmou que na região há muitos apicultores de produção própria, embora não saiba o número exacto. Este evento tem como propósito a criação de uma marca de mel da região, podendo até abranger concelhos vizinhos. “A ideia que tenho é que é fácil escoar o mel em Coruche e que há muita procura pelo mel da região. E as coisas só conseguem ter essa dimensão se for criada uma associação ou uma organização que consiga fazer esse tipo de promoção”, disse Francisco Oliveira (PS) acrescentando que o município está disponível para colaborar. A CAP - Confederação dos Agricultores de Portugal não esteve presente neste encontro, segundo o presidente, porque não houve a necessidade de envolver essa organização. “Esta é uma iniciativa muito direccionada, a maior parte dos apicultores nem sequer são associados da CAP que tem uma área de actividade relacionada mais com a agricultura de grande escala. Se as coisas crescerem de forma a que haja essa necessidade, com certeza que a convidaremos e a outras entidades”, concluiu o autarca.A coordenadora do evento no Observatório, Susana Cruz, afirmou que gostaria de ter visto mais pessoas na iniciativa e admitiu que a falta de divulgação atempada impediu um maior interesse por esta primeira conferência. A intenção é repetir esta iniciativa com a participação também das escolas.

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