Economia | 14-04-2016 11:32

Fábrica de molas em Virtudes com fim anunciado deixa 180 sem trabalho

A Impormol, empresa de fabrico de molas para automóveis localizada em Virtudes, Azambuja, suspendeu na quinta-feira, 7 de Abril, a produção e perspectiva fechar portas, situação que deixará no desemprego 180 trabalhadores, disse à agência Lusa o director financeiro da unidade. Paulo Antunes explicou que, devido “à falta de encomendas”, a situação da empresa que labora há cerca de 40 anos no concelho da Azambuja tornou-se “inviável” e, por isso, deverá avançar para um processo de insolvência.O responsável acrescentou que os 180 trabalhadores já foram informados, por carta, que estavam dispensados de comparecer no serviço. “Há sectores que ainda estão a funcionar, nomeadamente o financeiro, porque ainda há assuntos pendentes que temos de resolver. Na verdade, não se perspectiva uma recuperação”, apontou.A informação levou os trabalhadores da Impormol - Indústria Portuguesa de Molas a realizarem um plenário, no final do qual, em declarações à Lusa, Fernando Pina, do Sindicato das Indústrias Transformadoras de Energia e Ambiente, se escusou a falar para já num cenário de despedimento, sublinhando que os operários “irão fazer tudo para manter os postos de trabalho”.“Neste momento, a administração dispensou os trabalhadores e a produção está totalmente parada, mas não existe nada oficial que confirme que a Impormol vai encerrar. Estamos muito preocupados, mas acreditamos que ainda é possível dar a volta à situação”, afirmou.O sindicalista disse, ainda, que para já “seria contraproducente avançar com qualquer acção” e que os trabalhadores vão aguardar pela próxima semana para, eventualmente, tomar alguma posição. “Na quarta-feira (dia 13) temos uma reunião com a administração. Vamos aguardar”, insistiu.Comerciantes e autarcas preocupados A Associação de Comércio e Indústria de Azambuja (ACISMA) já se manifestou preocupada com a possibilidade de encerramento da Impormol. Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da ACISMA, Daniel Claro, afirmou que o fecho da Impormol seria “mais uma machadada” na economia local, uma vez que tornaria o “concelho mais fraco a nível da competitividade nacional”.“Seria uma péssima notícia porque se trata de uma empresa emblemática e já culturalmente enraizada. Não teria o impacto que teve o encerramento da fábrica da Opel (2006), mas seria igualmente preocupante”, considerou. Daniel Claro alertou que a perda de indústrias de referência, como é o caso da Impormol, será um “sinal errado para os eventuais investidores”.O presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Magalhães Ribeiro, reuniu com a comissão de trabalhadores na segunda-feira, 11 de Abril, e garante que tudo fará para salvar os postos de trabalho, tendo já solicitado reuniões com carácter de urgência a ministros e ao secretário de Estado do sector. Dos 179 colaboradores da empresa, “80 são pessoas do nosso concelho. Para além das famílias directamente afectadas, temos ainda outras PME do concelho que são fornecedoras da Frauenthal (proprietária da Impormol)”.O autarca diz que “a empresa evoca como razão para a interrupção da linha de produção, o facto de um dos clientes ter cessado a aquisição dos seus produtos, sendo que este cliente representava 98% da produção total”, o que levou a administração a suspender o trabalho e a marcar uma assembleia geral de trabalhadores para esta quarta-feira, 13 de Abril (já depois do fecho desta edição). Pedro Magalhães Ribeiro afirma ainda que “as autarquias do Cartaxo e Azambuja estão a concertar esforços para salvar os postos de trabalho, encontrar soluções para a empresa, envolvendo, para tal, trabalhadores, direcção da empresa e entidades governamentais”.

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