Economia | 21-01-2018 10:06

Parques de Negócios do Vale do Tejo captam dois investimentos de 40 milhões de euros

Parques de Negócios do Vale do Tejo captam dois investimentos de 40 milhões de euros
Foto O MIRANTE - José Eduardo Carvalho

José Eduardo Carvalho diz que foi um prémio para quem conseguiu aguentar o projecto durante a crise de 2010-2016

José Eduardo Carvalho, presidente do conselho de administração dos Parques de Negócios de Rio Maior e de Torres Novas confirmou a atracção de dois grandes investimentos para a região, um em Rio Maior e outro em Torres Novas. O de Rio Maior é da empresa farmacêutica Generis e o de Torres Novas é de uma empresa do sector da logística, cujo nome disse ainda não poder revelar. O gestor manifestou a intenção de deixar a presidência do conselho de administração daqueles dois parques após a concretização da venda dos lotes, mantendo apenas a ligação ao Valleypark no Cartaxo.

Qual a área a ocupar pelos investimentos anunciados para Rio Maior e Torres Novas?

São investimentos de grande dimensão. O de Rio Maior será implantado numa área de 90.000 m2. O de Torres Novas ultrapassa os 30.000 m2. Com este investimento o Parque de Negócios de Torres Novas ficará com 50% da área totalmente ocupada. O de Rio Maior, como tem outra dimensão, ficará com 40% da área vendida.

Quanto tempo demoraram as negociações?

As negociações não foram fáceis. A de Torres Novas durou um ano e meio. A de Rio Maior foi mais célere mas exigiu uma resposta técnico-comercial muito complexa e difícil.

Os investimentos correspondem à estratégia definida para cada um dos Parques de Negócios?

São investimentos que entroncam na estratégia de especialização dos parques: o de Rio Maior para a indústria; o de Torres Novas para a logística.

Houve alturas em que algumas pessoas duvidaram da viabilidade dos Parques de Negócios.

Estes investimentos constituem um prémio para quem conseguiu aguentar estes projectos durante a crise de 2010-2016. Como se sabe, em Portugal, 90% dos projectos do sector imobiliário industrial faliram ou foram entregues à banca. Os dos Parques de Negócios do Vale do Tejo passaram por grandes dificuldades. Só a enorme capacidade de resiliência e empenhamento da administração, accionistas e equipa técnica permitiram que as sociedades não insolvessem. Nunca é demais referir o trabalho de Maria José Chaves, Ana Paula Correia e Vítor Costa. Viveram e superaram situações muito complexas nestes últimos cinco anos.

Como classifica o comportamento dos políticos locais durante esse tempo?

O projecto dos Parques de Negócios do Vale do Tejo conseguiu aguentar-se porque houve o bom senso nos principais partidos representados nos executivos camarários de não o transformarem em instrumento de luta político-partidária. Espero que assim continuem para o bem dos seus concelhos.

Ainda há muito a fazer até à concretização da venda dos lotes. Pode haver recuos?

Até ao arranque deste dois investimentos existe um grande trabalho técnico-urbanístico para concretizar e os prazos contratuais são exigentes. Terá de haver alterações aos loteamentos para instalar e enquadrar o investimento previsto. Espero que o empenhamento, a capacidade técnica e a celeridade dos serviços técnicos das Câmaras Municipais de Rio Maior e Torres Novas não comprometam o trabalho feito até aqui.

Receia que isso aconteça?

Estou convencido que não irá acontecer. Em momentos anteriores aqueles serviços sempre estiveram à altura.

É presidente da AIP e está envolvido noutros projectos. Tem intenção de se manter na administração dos Parques de Negócios?

Com a captação destes investimentos vou abandonar a presidência do conselho de administração do Parque de Negócios de Rio Maior e Torres Novas.

Quando?

Continuarei até à concretização das alterações de loteamentos e até ao cumprimento das cláusulas do contrato de compra e venda dos lotes destes dois investimentos. Depois sairei. Foram muitos anos, muito desgaste e muito esforço. Consegui aguentar os projectos durante o período da crise. O país está a entrar numa nova fase de investimento que dinamizará a actividade destes parques. Para isso precisam de um novo dinamismo e de novos protagonistas. Seria hipócrita se não dissesse que com a concretização destes dois investimentos esta será a melhor altura para sair, com um sentimento de dever e trabalho cumprido.

Também vai deixar o Valleypark?

Para já não. Continuarei na presidência da Valleypark até conseguir atrair um investimento semelhante para o Cartaxo. A comercialização iniciou-se há pouco tempo. Existem ainda algumas insuficiências de infraestruturação que condicionam a venda. Se rapidamente se concretizarem também a Valleypark atrairá investimentos desta natureza.

Está optimista?

Ainda esta semana eu e o Dr. Pedro Ribeiro (presidente da Câmara Municipal do Cartaxo) estivemos numa reunião na AICEP por causa do parque e foi reconhecida pelo presidente da AICEP a sua excelente localização e as condições urbanísticas. E é pela AICEP que passam e se negoceiam os grandes investimentos. O grupo de investidores que adquiriu os créditos à banca não está nervoso com a situação actual da Valleypark. Acreditam no projecto e na sua rentabilidade e acham que transformarão a realidade económica dos concelhos do Cartaxo e Santarém.

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