Educação | 04-11-2018 14:34

Coordenadora pedagógica defende a criatividade e as brincadeiras de antigamente

Coordenadora pedagógica defende a criatividade e as brincadeiras de antigamente
IDENTIDADE PROFISSIONAL
Lurdes Magalhães trabalha na ABEIV desde os 19 anos

Lurdes Magalhães tem 50 anos e é coordenadora pedagógica da ABEIV

A Associação para o Bem Estar Infantil da freguesia de Vialonga foi fundada há 41 anos e tem seis centenas de crianças e jovens e duas centenas de seniores a beneficiarem das suas respostas sociais.

A Associação para o Bem Estar Infantil de Vialonga (ABEIV) tem como missão o desenvolvimento integral e harmonioso das seis centenas de crianças e jovens, até aos 15 anos, que frequentam o espaço. Há actividades lúdicas e desportivas para todos os gostos, desde o judo, à zumba, e espaço para dar asas à criatividade dos mais pequenos, que ali dão os primeiros passos na “formação da sua personalidade”. Esta é a visão de Lurdes Magalhães, de 50 anos, formada em educação para a infância e actual coordenadora pedagógica da ABEIV.
“É importante respeitar cada criança e dar-lhe margem para deixar vir ao de cima a sua criatividade. É claro que tem de haver regras, mas o caminho pedagógico não pode ser entendido como uma estrada em linha. Há outros caminhos que devem ser explorados”, diz.
Lurdes Magalhães começou por ser auxiliar de acção educativa na ABEIV quando tinha apenas 19 anos. Chegou a dar apoio numa escola de primeiro ciclo na Póvoa de Santa Iria, mas foi nesta associação que encontrou o seu caminho e vocação profissional. “Sonhava ser professora primária, mas depois de contactar com crianças mais pequenas percebi que era com elas que queria fazer o meu percurso profissional. Trabalhar com os mais pequenos é um dar e receber constante. Há muita troca de carinho e de aprendizagem. Estou sempre a aprender com eles”, conta a O MIRANTE.
Natural de Vialonga, Lurdes Magalhães não aceitou de imediato o cargo de coordenadora. “Encarei-o como um desafio profissional, uma nova etapa, mas custou-me muito deixar as salas e o convívio com as crianças”, confessa. Os dias são, desde há três anos, passados entre burocracia, planos de actividades para as crianças e reuniões com as técnicas da ABEIV. Mas garante que não termina o dia sem antes passar pelas salas e contactar com os mais pequenos. “Gosto de estar próxima deles, para perceber as dificuldades que sentem e aquilo que precisa de ser mudado. Só dessa forma estou a desempenhar bem o meu trabalho”, justifica.

Crianças têm mais estímulos
Em 31 anos de profissão já lhe passaram pelas mãos milhares de crianças. Cada uma com a sua singularidade, mas com a época a marcar comportamentos comuns. Lurdes Magalhães diz em tom assertivo que os miúdos de hoje aprendem mais rapidamente porque recebem mais estímulos desde muito pequenos. “Crianças de cinco anos mexem com facilidade em computadores, tablets e telemóveis. Algo que era impensável há uns anos. Mas esses comportamentos fazem com que aprendam mais rapidamente”, refere.
A ABEIV trabalha com crianças que frequentam a creche, pré-escolar, ATL, clube de jovens e acolhe ainda duas dezenas de crianças que são retiradas a famílias desestruturadas e carenciadas. Durante o ano, a associação desenvolve actividades de enriquecimento curricular (AEC), dispõem de serviço de transporte de crianças e pratica mensalidades adequadas à situação financeira de cada família.
Muitas crianças entram para o berçário da ABEIV com poucos meses de vida e só deixam a associação na adolescência. No panorama actual, Lurdes Magalhães, entende que ser professora ou educadora é uma tarefa mais difícil. “Captar a atenção deles, motivá-los a cada dia é um desafio nesta profissão. Quando se consegue isso é uma vitória”, conta.
Não é contra o acesso dos miúdos às novas tecnologias, mas diz que é preciso combater os excessos. “Dar-lhes o oposto, voltar às brincadeiras de antigamente”, passa pela estratégia. Ler uma história, cantar, brincar às escondidas, com a terra, o barro e a plasticina, são brincadeiras intemporais que “ainda cativam as crianças”.
Na concepção de Lurdes Magalhães não é correcto dar uma palmada a uma criança nem obrigá-la a dar beijinhos. “Devemos procurar outro caminho que não o da palmada. Educar as crianças sem recurso a qualquer acto de agressividade. Os afectos são importantes, o entrar na sala e dar um beijinho à educadora, mas obrigar não concordo. Assim como não devemos obrigar a criança a beijar quem não conhece”, sustenta.

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