Entrevista | 28-05-2009 12:38

“Comboio de passageiros vai ligar Coruche ao Oriente em 55 minutos”

“Comboio de passageiros vai ligar Coruche ao Oriente em 55 minutos”
A cortiça é uma janela de oportunidade para a valorização do concelho de Coruche, mas o professor de História que lidera câmara, Dionísio Mendes está a lançar alternativas para o futuro. Defende um crescimento harmonioso, com qualidade de vida, da futura cidade. Com o comboio de passageiros e o IC 13, Coruche ficará a menos de uma hora do centro de Lisboa.O que é que vai mudar depois da Feira Internacional da Cortiça em Coruche?É uma feira que vai ter repercussão na fileira da cortiça a nível nacional e internacional e será o reafirmar de Coruche como Capital Mundial da Cortiça porque somos os maiores produtores e também pela industria onde produzimos cinco milhões de rolhas por dia. No futuro Coruche será um centro de investigação centralizado no observatório do sobreiro e da cortiça.O senhor vai presidir à Assembleia Geral da RETECORK que reúne os produtores europeus de cortiça…É um acontecimento importante onde iremos abordar varais preocupações do sector com alguns dos maiores produtores.Segue-se um debate com especialistas de peso…Vamos ter um debate moderado pela jornalista Fátima Campos Ferreira (moderadora do Prós e Contras da RTP) com alguns dos maiores especialistas do mundo onde iremos abordar o potencial da cortiça e ligá-lo ao vinho, outro produto com forte peso na região, e que queremos projectar a nível internacional.Esta feira com várias iniciativas mediáticas vai colocar o município de Coruche no mapa da actualidade?Esse é um dos nossos objectivos. Num ano de crise queremos, em contra-ciclo, incentivar a recuperação do sector da cortiça e promover outros aspectos do nosso concelho.O Governo anunciou há dois meses um apoio de 180 milhões de euros para a indústria da cortiça e por arrastamento isto vai estimular a produção e haverá mais procura. Esperamos que o senhor ministro da Agricultura anuncie em Coruche as medidas de apoio aos produtores. Não podemos esquecer que a cortiça tem um potencial de crescimento enorme.Há ideias novas para a aplicação da cortiça. O edifício do observatório de Coruche dá o exemplo?Temos boas ideias para a aplicação da cortiça nos revestimentos dos prédios, mas também na moda (vestuário, calçado e acessórios) na arte e até nos automóveis. A Mercedes anuncia um modelo topo de gama em que parte dos interiores são em cortiça e que vai ser um êxito, substituindo as madeiras exóticas.Quando as rolhas de cortiça são substituídas por materiais mais baratos, há que encontrar alternativas para escoar a cortiça produzida?O problema dos vedantes alternativos está a ser avaliado e é uma preocupação do sector, mas temos que dar melhor destino aos sobrantes da indústria da rolha e à cortiça de menor qualidade que vai para aglomerado, mas pode ter outra utilização nos revestimentos, pavimentos e até ser utilizada como material plástico como se pode ver no auditório do observatório onde há um fresco sobre as paredes de cortiça.É um bom ensaio da cortiça como material de suporte para aplicação de tintas em obras de arte.O observatório é uma obra de referência neste sector?Foi feliz a escolha da cortiça para aplicar em vários locais do edifício provocando alguma admiração mas que facilmente se esbate. Tem situações inéditas, é um projecto muito bem conseguido com a imaginação do arquitecto e pode virar moda. Quanto custa esta obra?Tem um custo final de 1,5 milhões de euros e foi financiado a 75 por cento pelo Programa Valtejo. É um investimento reprodutivo para a região e para o país porque vai centralizar a investigação num sector determinante e vai ser um pólo de atracção de investigadores universitários de vários pontos do mundo. Temos contactos com várias faculdades e institutos e vamos criar condições para que os investigadores pernoitem em Coruche na residência estudantil que será alargada. Essa permanência é importante porque são pessoas que vão passar algum temo em Coruche e darão mais vida à vila.Para além da investigação haverá também formação profissional no observatório?Já estabelecemos um acordo com o Instituto de Emprego e Formação Profissional para que o observatório receba acções de formação nas mais variadas áreas do sector. Já existe um centro no Norte, mas no Sul não há nada. Queremos que os operários da indústria corticeira, e os tiradores de cortiça possam fazer aqui a sua formação. Até aqui havia apenas uma aprendizagem empírica, prática, mas queremos evoluir para desta forma melhorar a rendibilidade do sector. Queremos que as boas práticas no montado aconteçam ao longo de todo o ano. Quem trabalha no sector tem de conhecer a árvore e o ecossistema.Os produtores e industriais estão sensibilizados para a importância da formação?Sem dúvida. Eles perceberam que se estiverem preparados, melhor será a capacidade de reacção em momentos adversos e melhor será a produção. Uma cortiça de melhor qualidade dará melhor produto para a indústria e valerá mais no mercado. Todos temos a ganhar com a certificação da qualidade no montado e na cortiça. Quando é que avança com a sua candidatura?A ideia é fazer uma apresentação de rodo os candidatos do PS durante o mês de Junho após os feriados. Nesse momento se saberá as novidades com todos os candidatos. Atélá não faremos anúncios parcelares.Este cenário de crise alterou as prioridades dos municípios. Quais devem ser as linhas orientadoras do próximo mandato em Coruche?A grande prioridade é o investimento das Águas do Ribatejo no saneamento básico em Coruche. Nos próximos quatro anos temos de dar um salto muito grande. Na área da saúde vamos concretizar o Serviço de Urgência Básico em Coruche e vamos reforçar a oferta de cuidados de saúde com a unidade móvel que vamos adquirir para chegar às pessoas mais velhas e com menos recursos. A unidade de cuidados continuados a construir pela Misericórdia, com 30 camas, será fundamental para esta área e a câmara está envolvida neste processo cuja construção avança este ano. E na área social, o que é que está previsto?Na área social, vamos reforçar o apoio na construção de vários edifícios para apoio à terceira idade nas várias freguesias e criámos um conjunto de medidas que permitem apoiar as famílias mais carenciadas. O município não pode substituir a segurança social mas pode ajudar as pessoas a viverem com menos dificuldades. Está para breve a abertura da fábrica de águas da Nestlé. São mais 50 postos de trabalho.Curiosamente a nascente de onde será captada a água chama-se nascente dos sobreiros porque tem alguns sobreiros lá perto. Isto mostra a importância do sobreiro no concelho de Coruche. O montado de sobro é um ecossistema com grande qualidade ambiental e a Nestlé escolheu bem o local. Esta unidade é mais um investimento na promoção do emprego e na valorização de alternativas aos produtos tradicionais como a cortiça, o pinhão, a madeira, o vinho e a beterraba. A aposta na água é uma alternativa forte. Tivemos algum mérito na conquista deste projecto que vai dar emprego a 50 pessoas.Será uma boa promoção par a vinda de outros investimentos?Esperamos que este bom exemplo seja seguido por outras empresas de qualidade. Estamos receptivos a recebê-las. Temos um projecto para uma fábrica de perfumaria e cosmética que avança ainda este ano no Monte da Barca. Com a nova área industrial com 60 hectares (área equivalente a 70 campos de futebol), queremos atrair para Coruche outros sectores e outras áreas de actividade, reforçando e valorizando sempre os produtos tradicionais.O novo aeroporto vai tornar Coruche mais atractivo?Com a proximidade do aeroporto vamos atrair novas empresas e muitas pessoas que vêm trabalhar à volta da cidade aeroportuária. Coruche está muito perto do local da construção e vai ter que aproveitar as oportunidades que aparecerem. Queremos investimentos de qualidade que criem emprego e desenvolvimento. Estou a falar de empresas de produção e serviços que possam trabalhar em função do novo aeroporto.E o crescimento urbano. Como é que vai ser feito?Coruche tem todas as condições para crescer, aumentando os perímetros urbanos mas vai ser um crescimento ordenado que privilegie a qualidade. Coruche pode marcar a diferença em relação a outros concelhos que estão à volta do novo aeroporto. As pessoas podem encontrar aqui a casa que não têm em Lisboa. Temos características muito próprias que permitem manter a qualidade de vida e atrair quem trabalha no aeroporto ou até em Lisboa. Vamos ficar a menos de uma hora do centro de Lisboa. Queremos crescer sem nos transformarmos num dormitório.A ideia que avançou da possibilidade de haver uma ligação ferroviária de Coruche a Lisboa como está?Há novidades agradáveis. Temos informação que a proposta que apresentámos há quatro anos foi bem acolhida e brevemente vai ser possível avançar com uma linha de transporte de passageiros entre Coruche e Lisboa, directamente para a Gare do Oriente numa viagem de 55 minutos com todo o conforto e comodidade. Há centenas de pessoas que todos os dias se deslocam de carro ou autocarro a partir do nosso concelho para Lisboa e vice-versa. Este transporte vai ser muito útil também para os concelhos de Salvaterra de Magos e Cartaxo. O sonho pode ser concretizado e será mais um factor de competitividade para Coruche com mais qualidade de vida para as pessoas.E a central de camionagem quando é que fica pronta?A obra recomeçou. O projecto foi todo revisto e estará pronta no Verão de 2010.O quartel de bombeiros tarda em avançar?Temos a candidatura pronta para entregar e ficamos a aguardar a sua aprovação. É uma obra importante que queremos concluir rapidamente, mas não depende apenas de nós.E a eterna sede da Sociedade de Instrução Musical Coruchense (SIC)?A sede da SIC está nas mãos da direcção da colectividade. Estamos disponíveis para construir no actual espaço da velha sede ou para ceder um terreno municipal onde se construa o edifício. Terá de ser a SIC a tomar esta decisão. Nós apoiaremos qualquer solução, mas não podemos ser nós s decidir. Aguardamos que nos comuniquem o que pretendem. Estamos decididos a apoiar esta colectividade centenária que é a mais antiga de Coruche.Um dos problemas de Coruche são as acessibilidades. Tem feito sensibilização junto do Governo. Para quando o avanço do IC10 (Coruche-Almeirim) e IC 13 (Campo de Tiro de Alcochete- Coruche)?Temos a informação de que o IC 13 avançará primeiro que o IC10. Será uma auto-estrada até à zona do Infantado, servindo o novo aeroporto, com uma ligação à A13 e a partir do Infantado para Coruche será um itinerário complementar sem portagem. Quanto ao IC 10 está prevista uma travessia do vale comum com o IC13 que será uma alternativa às pontes.As pontes continuam em obras e prevê-se um Verão complicado?Vamos ter grandes congestionamentos, apesar da alternativa da ponte militar. Vai ser caótico, mas espero que a conclusão seja rápida e que as pontes possam estar a funcionar em Agosto antes das festas de Coruche.São pontes muito arrojadas com cores vivas?As pontes são um ex-libris da vila e penso que a escolha destas cores diferentes em cada uma das sete pontes são uma ideia original que será bem recebida. No futuro espero que sejam usadas apenas para trânsito local. Para quando a regeneração urbana do centro de Coruche?Estamos a trabalhar nesse plano com uma candidatura para interferir no centro histórico com uma reabilitação de vários edifícios e na zona ribeirinha. Vamos também intervir na entrada norte da vila com um projecto de requalificação.Coruche tem todas as condições para ser cidade. Vai apoiar a sua criação?A curto prazo vejo como interessante que Coruche possa ter o título de cidade que pode dar alguma visibilidade acrescida. É uma ambição nossa, mas é preciso criar infra-estruturas que justifiquem o desígnio e nós vamos criá-las. Como coruchense e bairrista que sou, espero que Coruche seja elevada a cidade nos próximos quatro anos.Vive a sua actividade com emoção. Não ficou abalado com os ataques feitos por autarcas à sua vida pessoal?Eu gosto muito do que faço e sinto um enorme prazer no que tenho feito pelo meu concelho. Todas as tentativas de enxovalho são insuficientes para mudar a minha foram de estar e de servir o meu concelho. Entendo essas provocações como excessos da democracia que são situações de excepção que lamentamos, mas ultrapassamos com normalidade.Como é que registou a solidariedade dos eleitos da CDU?Foi normal. Em democracia a solidariedade é normal. Eu próprio tenho sido solidário com autarcas da CDU que também passam por situações semelhantes de serem caluniados ou difamados por outros eleitos. A vida continua, temos de saber conviver com estas situações. Tem sido acusado de gastar muito dinheiro em campanhas de marketing. É um investimento com retorno?Nós julgamos que estamos no bom caminho. Queremos atrair investimentos e mais habitantes para Coruche, queremos ser uma alternativa à vida em Lisboa e para isso temos de mostrar o que temos e todas as nossas potencialidades. É isso que fazemos com o Coruche Inspira onde juntámos um conjunto de iniciativas que estavam dispersas e projectámo-las junto da opinião pública. É semear para colher.Uma entrevista que pode ler na íntegra nas edições semanal em www.omirante.pt e na edição impressa já nas bancas.

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