Entrevista | 29-09-2010 00:10

“Estado de graça de Moita Flores está a chegar ao fim”

Militante socialista, António Carmo ficou ligado à pior derrota sofrida pelo PS no concelho. Nada que o tenha marcado, pois afirma-se disponível para ser recandidato em 2013. Pelo meio critica os camaradas que não quiseram queimar o currículo nas últimas autárquicas, quando a derrota estava anunciada. E admite que nas próximas eleições o cenário vai ser diferente, porque quando cheira a vitória “o PS aparece sempre com mais candidatos e as pessoas até brigam umas com as outras”. Segue-se excerto da entrevista que será publicada na íntegra na edição semanal de O MIRANTE, esta quinta-feira.Como se sente a trabalhar com um presidente de câmara que diz que “a verdadeira latrina política do país está no PS de Santarém”?Critico naturalmente esse tipo de linguagem. Não me revejo nessa forma de estar. Sou uma pessoa que respeita toda a gente, independentemente da sua opinião ou ideologia. Nunca utilizarei essa linguagem e nem sequer respondo a essas provocações. Acha que esse tipo de discurso não enobrece as funções autárquicas?Esse tipo de discurso não é digno de um presidente de câmara. Eu como presidente de câmara não teria esse tipo de linguagem. E há outras coisas que foram ditas que eu nem sequer repito, nem sei se serão publicáveis num jornal. Está desiludido com a actuação do presidente da câmara Moita Flores?Não tenho que ficar desiludido nem tenho que confirmar o que pensei. Se não votei no presidente Moita Flores, no projecto que ele apresentou, por algum motivo foi. Há aqui diferenças.Quando falo em desiludido, é mais em termos de relacionamento.No relacionamento comigo como vereador tem-me respeitado.Se bem que às vezes não o deixe falar…Ele tem-me respeitado. E isso é o que deve fazer sempre. Porque eu também o respeito, enquanto pessoa e enquanto presidente de câmara. Mesmo não estando em concordância com ele em muitos aspectos. Mas já não posso aceitar que me impeça de falar. Foi a segunda reunião do executivo consecutiva em que sou informado que não me é dada a possibilidade de intervir. Isso significa também a interpretação que as pessoas têm de democracia. E, no caso do presidente da câmara, para ser democrata deve deixar-me falar quando peço a palavra. O presidente Moita Flores já anunciou que não é recandidato em 2013. É uma boa oportunidade para o PS recuperar a Câmara de Santarém?É uma boa oportunidade para o PS nas próximas eleições voltar a liderar os destinos do concelho. Mas é uma boa oportunidade não só pelo facto do presidente Moita Flores não ser candidato. E vamos ver se não é. De qualquer forma, o que considero é que irá ser feita uma avaliação aos dois mandatos do PSD. Nos primeiros quatro anos houve muito argumento utilizado que colocava em causa a gestão do PS. Muitas das suas decisões eram justificadas pelo que o PS tinha feito. Como a questão da dívida, que aumentou 28 milhões de euros em quatro anos.Esta contestação popular que se tem observado, designadamente quanto ao alargamento do estacionamento pago na cidade, pode indiciar que o estado de graça de Moita Flores está a chegar ao fim?Julgo que sim. A população de Santarém vai começar a perceber quais são os projectos do PSD. Durante o primeiro mandato muitas das obras inauguradas vinham do mandato anterior. Veja-se o caso dos jardins. Também muitos dos centros escolares já resultavam de uma carta educativa que tinha sido trabalhada durante a gestão do PS. E algumas obras inauguradas no mandato anterior devem-se ao Governo socialista. Mas é esta câmara que tem de pagar a factura…Sim. Mas o que pergunto é que obra foi feita pelo PSD, que tivesse origem no PSD.Há a requalificação de espaços públicos na cidade, o convento de São Francisco, o antigo presídio militar, por exemplo.O Convento de São Francisco já antes tinha sido aberto ao público…Por pouco tempo e sem este tipo de utilização.Mas vejamos quais foram as verdadeiras obras do PSD. E é isso que a população vai ter de avaliar. Porque, verdadeiramente, a grande obra do presidente da câmara foi o Jardim da Liberdade. Essa sim, não tem nada a ver com o PS. Mas veja-se o custo dessa obra, que ficou um espaço agradável. As pessoas vão começar agora a sentir o custo dessa obra. Nós já alertámos para isso durante a campanha eleitoral, mas as pessoas não nos quiseram ouvir.Preferia não ter a obra e não haver mais estacionamento pago à superfície?Entendo que antes de se fazer qualquer intervenção naquele espaço em frente ao tribunal era preferível intervir no Campo Infante da Câmara. Se queríamos um verdadeiro parque verde da cidade, devia ser feito noutro lugar, como a Escola Superior Agrária ou nos terrenos da antiga Escola Prática de Cavalaria. E fazer o parque de estacionamento subterrâneo no Campo Infante da Câmara. O que vamos fazer agora é pagar o estacionamento à superfície a uma empresa privada. O dinheiro nem sequer fica em Santarém. A empresa vai pagar uma renda anual de 241 mil euros à câmara por isso.Todos conhecemos os termos do contrato e é um negócio muito penalizador para as pessoas de Santarém. As pessoas começam a aperceber-se disso. Tal como se começam a aperceber do custo da entrega a um parceiro privado de parte do capital da empresa Águas de Santarém. Daqui por três anos as pessoas poderão avaliar a gestão do PSD e o que fez o PS. O complexo aquático é agora apontado como uma maravilha de Santarém, mas ninguém se esqueça que foi uma obra do PS. E já agora pergunto, porque o PS não teve oportunidade de executar essa obra, onde está o complexo desportivo municipal? O que fez o PSD?Pelo menos desbloqueou a situação do campo Chã das Padeiras. E foi colocado um relvado sintético no campo da Escola Agrária.Mas o que já se fez relativamente a parques desportivos em Santarém? O parque desportivo de Pernes, prometido há tanto tempo, que é feito dele? Estamos a falar de promessas não cumpridas. Já agora deixe-me falar de outro grande projecto do PSD, que foi a praia de Santarém. O que é hoje? Foi um projecto ridículo. Tudo isto deverá ser devidamente avaliado daqui a três anos.

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