Entrevista | 17-05-2012 10:42

Escola Superior de Gestão organiza conferência internacional e “joint degree” tecnológico

Escola Superior de Gestão organiza conferência internacional e “joint degree” tecnológico

A Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém (ESGTS) conseguiu ultrapassar o período dos conflitos permanentes que se viveu no decurso da anterior presidência e abre-se à sociedade e à cooperação com entidades nacionais e internacionais. Sob a presidência do professor Ilídio Lopes aquela Escola do Politécnico de Santarém ganha prestígio e a maioria dos docentes e não docentes trabalha em ambiente de franca cooperação.

No início do seu mandato, há um ano, manifestou o desejo de abrir a Escola ao exterior uma vez que a mesma se encontrava fechada sobre si mesma e com uma imagem pública desgastada devido a quezílias frequentes entre o seu antecessor e vários professores. O que já foi feito?Efectivamente, há um ano atrás a Escola não tinha a melhor imagem no exterior. Havia muitas divergências e conflitos que ocultavam o que de bom se fazia. Uma das minhas preocupações foi envolver o máximo possível de docentes e não docentes em diversos projectos, muitos deles conjuntos. A resposta foi bastante positiva e hoje, felizmente, temos uma situação bem diferente. Os departamentos já não estão de costas voltadas em relação à direcção. Todos os desafios que tenho lançado têm sido bem recebidos. Tem havido colaboração. Claro que cada departamento tem a sua dinâmica mas todos têm colaborado.Foi difícil?Houve uma grande colaboração da grande maioria dos docentes e eu tenho uma equipa coesa. A minha vice-presidente, Professora Carla Isabel Vivas, e o Secretário, Professor Pedro Henriques, têm sido incansáveis e temos sempre a porta aberta para quem queira trabalhar. A Escola tem hoje uma imagem bastante positiva, tanto a nível da comunidade como a nível nacional e internacional.Esse era outro dos seus objectivos, a abertura à sociedade. Que balanço pode fazer nesta altura?A minha primeira preocupação foi abrir a escola ao exterior. Não apenas ao país mas internacionalmente. E isso está a ser conseguido. Trazemos muitas pessoas à Escola. Dias 20 e 21 de Setembro vamos receber a 7ª Conferência Europeia de Inovação e Empreendedorismo em que participam cerca de duzentos conferencistas de 45 países diferentes. Foram submetidos 170 trabalhos para apresentação. A Conferência tem passado por várias cidades importantes. O ano passado foi em Aberdeen na Escócia e antes em Paris. Para o ano é em Bruxelas. Foi uma aposta minha que conseguimos concretizar. E já temos a confirmação de um outro evento a nível nacional para Fevereiro de 2014.O que se ganha com a realização desta conferência internacional?Para além da projecção da Escola, da cidade de Santarém e do país ganha-se em termos de conhecimento e do envolvimento que se consegue a vários níveis. Esta conferência é de académicos e profissionais que vêm aqui apresentar os seus estudos. São oriundos de países tão diversos como Indonésia, Japão, China, Paquistão...e de Portugal também. Dos 170 trabalhos enviados, 38 são de escolas portuguesas.É um bom exemplo de abertura.Este semestre temos cá docentes estrangeiros praticamente todas as semanas. Vêm apresentar as suas universidades e dar aulas das mais diversas temáticas do marketing, informática, gestão e contabilidade.Não era frequente?Não. E já temos uma agenda de docentes que virão a partir de Outubro, já para o primeiro semestre. Há uma dinâmica muito grande. Há um reconhecimento externamente para o acolhimento que fazemos para as condições que temos. A própria turma do Erasmus que andava sempre abaixo de uma dezena de alunos tem agora 21 alunos estrangeiros para o próximo ano lectivo.Vão manter a mesma oferta para o próximo ano?Sim. As cinco licenciaturas (Administração Pública; Contabilidade e Fiscalidade; Gestão de Empresas; Marketing e Publicidade e Informática), os seis mestrados (Contabilidade e Finanças; Empreendedorismo; Gestão de Organizações de Economia Social; Gestão Pública; Marketing e Sistemas de Informação de Gestão) e os dois cursos de vertente tecnológica (Desenvolvimento de Produtos Multimédia / WEB Design e Instalação e Manutenção de Redes e Sistemas Informáticos).A nível dos cursos tecnológicos é possível irem mais além?O ano passado, dando seguimento ao que existia, foi opção de escola pôr a funcionar os dois cursos de especialização tecnológica. Esse pilar das tecnologias começou a ter já alguma consolidação mas não nos podemos aventurar com um curso de engenharia, por exemplo.Em que ponto está a parceria com as universidades de Zagreb (Croácia) e Vilnius (Lituânia)?Está em andamento. Vai começar em 2013/2014. É uma grande aposta. Trata-se de um curso tecnológico. Vamos fazer o pedido de acreditação este ano. Para esse curso temos que garantir estruturas. Vamos acolher o segundo semestre. Temos que ter as tais salas equipadas com equipamentos actualizados. Passamos a atribuir um grau comum (joint degree), ao nível do mestrado. O grau é conferido pelas três instituições aos estudantes que concluam esse ciclo de estudos, tendo os alunos que obrigatoriamente frequentar pelo menos um semestre do mestrado em cada uma das escolas envolvidas.Os alunos sentem dificuldade em suportar os custos do ensinoDe que forma a actual situação do país está a afectar a Escola?Estamos a atravessar um momento de incerteza. Não temos qualquer indicação sobre a forma como a própria rede do ensino superior vai evoluir. E é preciso que haja decisões para podermos repensar a nossa oferta educativa. Nesta altura não conseguimos definir uma estrutura ou um projecto perfeitamente integrado. Por outro lado os alunos e as suas famílias sentem dificuldade em suportar os custos associados ao ensino.Falou em dificuldades dos alunos. Tem havido desistências por questões económicas?Não há muitas desistências. Há alunos que me colocam dificuldades. Pedem planos de pagamento alternativos. O problema é que quando não pagam são penalizados com multas e juros. Nalguns casos esses planos de pagamento alternativos são aceites e tem havido casos em que perdoamos as multas e juros. Tenho poderes para isso que me foram delegados pelo Presidente do Politécnico e tenho sido muito sensível a isso. Penso que os meus colegas nas outras escolas também. Temos criado condições para que os alunos prossigam os estudos mas estamos a caminhar para uma situação em que só as famílias com capacidade financeira conseguem suportar os custos do ensino que não são só as propinas mas tudo o que está inerente como transportes, alojamento, refeições, etc. Temos sentido que há alunos com muitas dificuldades.Receia que a crise venha a ter reflexos na procura dos cursos da Escola?Eu sou optimista. Se é verdade que as famílias têm dificuldades, também é verdade que, em momentos de crise, a formação e o desenvolvimento de competências dos alunos podem ser úteis. Se calhar é nestes momentos que as pessoas pensam mais no aumento das suas qualificações.Com o desemprego entre jovens licenciados muitos interrogam-se sobre se vale a pena investir no ensino superior.Quando se fala em licenciados tem que se olhar também para as licenciaturas que esses jovens possuem. Os Politécnicos têm uma vantagem graças à sua formação mais técnica, mais próxima do tecido empresarial e mais aplicada. Nesta altura acho que faz sentido uma aposta no ensino superior politécnico. Eu dou-lhe um exemplo. Em contabilidade e fiscalidade, por exemplo, não temos muito desemprego. Os alunos podem não estar na multinacional ou na grande empresa que desejavam mas estão a trabalhar.

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