Entrevista | 01-10-2013 15:26

A Federação Portuguesa de Futebol tem que apostar mais na formação dos árbitros distritais

A Federação Portuguesa de Futebol tem que apostar mais na formação dos árbitros distritais

Fernando Silva tem 59 anos e é profissional na área da saúde. É há três anos presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Santarém. Mas a sua carreira no dirigismo desportivo começou há mais de três décadas na Académica de Santarém, passando depois pela Associação e pela Federação Portuguesa de Futebol. É do organismo máximo do futebol nacional que exige mais apoio para a formação dos árbitros distritais. O MIRANTE foi à conversa com ele para fazer um balanço do seu mandato e como vai a arbitragem no distrito de Santarém.

Qual o balanço que faz do período como presidente do Conselho de Arbitragem?A nossa prioridade foi organizar o Conselho em termos gerais. Deparámos logo com o problema da falta de árbitros e avançámos com a realização de um curso de árbitros, que foi um êxito. Contou com a participação de 50 candidatos. Mas depois sentimos que o acompanhamento desses jovens não foi o melhor, porque acabaram por não ficar todos. Muitos desses jovens vêm tirar o curso para currículo. Depois fizemos um outro curso no Cartaxo, com 25 candidatos e aí as coisas já correram melhor, ficaram praticamente todos. Iniciámos também a formação dos árbitros que já estavam no activo. Criámos centros de treino, fizemos protocolos com as câmaras do Entroncamento, Tomar e Almeirim, e os árbitros passaram a ter onde treinar semanalmente. O balanço é muito positivo, porque também contámos com a ajuda excepcional da Comissão Técnica Distrital.Mas no campo da formação ainda existem muitas dificuldades? Sim. Principalmente de ordem financeira. Quando discutimos o orçamento deparamos com o problema grave de apoios financeiros, não só da associação, que nos ajuda até onde pode, como especialmente da Federação Portuguesa de Futebol que nas provas nacionais ostenta um luxo enorme. Tem dinheiro para isso e para muito mais, mas esquece que é nos distritais que se formam os árbitros e é aqui que os vêm buscar para os seus quadros. É preciso que os dirigentes da Federação olhem para esta situação e comecem a apoiar a formação nos distritos. Qual é o orçamento do Conselho de Arbitragem para toda a época?Temos 15 mil euros para gerir todo o Conselho, para acções de formação, cursos de início de época, para os observadores. Não dá quase para começar. São os elementos da Comissão Técnica que praticamente subsidiam o Conselho. Não nos cobram quilómetros e horas de formação, só assim é possível desenvolver o trabalho de formação que temos conseguido fazer. A Federação tem que olhar para este caso de uma forma diferente e dividir melhor o dinheiro que tem ao seu dispor para a formação. Tem sentido pressões ou contestação por parte de clubes e dos seus filiados nas suas directrizes?Ser presidente do Conselho de Arbitragem é dos cargos mais difíceis que já desempenhei, não se agrada a ninguém, não se agrada aos adeptos, aos dirigentes, e nem aos próprios árbitros, que nem sempre gostam das nomeações. Por isso mesmo há sempre algumas pressões, principalmente de alguns clubes que contestam as arbitragens quando perdem. Mas felizmente as coisas têm corrido, por norma, bem e a contestação tem sido residual. E também os árbitros sentem que estão a ser acompanhados e têm-nos apoiado. Temos um quadro de árbitros pequeno e em todas as jornadas ficam sempre jogos das camadas jovens sem árbitros. Isso serve também para fazer alguma pressão. * Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE.

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