Entrevista | 16-10-2013 17:08

Novo presidente da Câmara de Salvaterra recebeu de Anita “parabéns” de mau perder

Novo presidente da Câmara de Salvaterra recebeu de Anita “parabéns” de mau perder

Funcionário da Câmara de Salvaterra de Magos há mais de 30 anos, Hélder Esménio conseguiu conquistar ao Bloco de Esquerda a única autarquia que geria no país. O facto de ser trabalhador municipal e vereador da oposição não foi fácil pois depressa se tornou numa espécie de “ódio de estimação” da ex-presidente Ana Cristina Ribeiro, que agora lhe deu os parabéns mas disse que ele seria o pior presidente do município. Indiferente às críticas e ao mau perder, Esménio quer criar uma equipa onde todos são importantes independentemente do partido político que está no poder. A saúde e o desenvolvimento económico do concelho vão ser as suas prioridades.

O candidato do Partido Socialista (PS) e funcionário municipal, Hélder Esménio, conseguiu conquistar a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, até agora liderada por Ana Cristina Ribeiro (BE), ao vencer as eleições autárquicas realizadas a 29 de Setembro. Apesar de optar por desvalorizar a situação, a verdade é que após a noite eleitoral os dias na autarquia onde trabalha não têm sido fáceis. “Anita” felicitou Esménio pela vitória apenas na reunião camarária que se realizou na quarta-feira seguinte mas mostrou mau perder ao afirmar, depois de lhe dar os parabéns, que este seria o pior presidente de câmara que o município iria ter.Ana Cristina Ribeiro era candidata à assembleia municipal pelo BE mas até aí o candidato do PS, Francisco Madelino, conquistou mais votos. Uma situação que, na opinião de Esménio, tem a ver com a estratégia “errada” que o BE delineou para as eleições autárquicas, perdendo assim a única câmara que tinha no país. “O BE assentou a sua candidatura na imagem da presidente Ana Cristina Ribeiro. A estratégia foi candidatar a presidente à assembleia municipal e esta apadrinhava o candidato à câmara. Só que isso fez com que o BE ficasse refém dessa estratégia porque foi Ana Cristina Ribeiro a escolher o candidato e não o BE. Essa situação criou divisões e o desgaste a que os políticos estão sujeitos também não ajudou”, afirma o presidente que toma posse na noite de sexta-feira, 18 de Outubro.Hélder Esménio foi trabalhar normalmente na terça-feira seguinte às eleições após um dia de férias para descansar. Alguns colegas deram-lhe os parabéns, mas admite que outros tiveram medo de felicitar o novo presidente da autarquia. Esménio recusa empregar a palavra “ditadura” para definir a gestão de Anita mas afirma que a gestão “determinística” e “muito controlada” da presidente cessante fez com que alguns funcionários tenham medo de exprimir a sua opinião. “Foram quatro anos em que quem esteve no poder foi diabolizando o candidato do PS que também era funcionário municipal. Os funcionários são avaliados todos os anos e a avaliação é feita por quem governa e não pela oposição, por isso as pessoas têm cuidado e têm medo que depois fique a ideia que estão a confidenciar alguma coisa ao vereador da oposição”, explica.Esménio quer acabar com esses medos e para isso vai começar por falar com todos os funcionários, pois faz questão de retirar a pressão que existe sobre os trabalhadores. O novo presidente garante que quer contar com todos, criando um melhor ambiente de trabalho, onde todos sintam que são iguais e importantes. “Queremos mobilizá-los para o projecto, onde as pessoas sintam que fazem parte de uma equipa independentemente do partido que está no poder”, sublinha.Garante que não vai pedir uma auditoria às contas do município porque as mesmas são feitas anualmente pela divisão financeira da autarquia e confia no mérito e trabalho dos funcionários. Vai pedir, no entanto, um relato da situação financeira e compromissos assumidos à última hora, nomeadamente obras que foram contratadas nas últimas semanas e que vai ter que ser o novo executivo a pagar.Baixar a derrama e terrenos grátis para empresasAs suas prioridades vão para as áreas da saúde, que considera uma situação dramática no concelho, e o desenvolvimento económico, onde diz que não houve aposta nos últimos anos. O engenheiro civil afirma que quer perceber quais vão ser as áreas abrangidas pelo novo quadro comunitário, que começa no próximo ano, para tentar entroncar o modelo de desenvolvimento do concelho de modo a conseguir obter financiamento comunitário. Uma das primeiras medidas a implementar é tentar baixar o valor da Derrama (imposto municipal que incide sobre as empresas) e rever os regulamentos municipais que punem quem quer investir em Salvaterra de Magos. O objectivo é tentar que os empresários queiram investir no concelho apoiando-os com cedência de espaços gratuitos e apoio jurídico de modo a que tenham um baixo investimento. “Se ajudarmos as empresas elas vão criar empregos para as pessoas e assim damos um passo importante para deixarmos de ser o concelho do distrito de Santarém com maior nível de desemprego”, diz.Ao contrário do que aconteceu em 2009, quando a família não viu com bons olhos a sua candidatura à presidência da câmara, desta vez conta com o apoio de todos. Esménio diz que a vantagem de entrar na política aos 50 anos é que os três filhos estão praticamente criados - apenas um ainda estuda - o que lhe permite mais tempo para a actividade autárquica.Em relação à anulação do concurso para chefe da Divisão Municipal de Urbanismo e Planeamento, um dia após as eleições autárquicas, Esménio recorda que já tinha alertado para a situação em Junho, considerando que não fazia sentido abrir concurso para essas funções a três meses de eleições autárquicas. O presidente eleito lamenta toda a situação e afirma que a anulação do concurso foi uma desculpa para o facto do PS ter tornado público que se preparava a posse no cargo da candidata, que era eleita na assembleia municipal pelo BE e é companheira do vereador bloquista Luís Gomes.

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