Entrevista | 03-12-2013 00:24

O novo maestro da Câmara de Sardoal

O novo maestro da Câmara de Sardoal

Habituado a pegar na batuta para reger orquestras, bandas ou coros, Miguel Borges tem agora um novo desafio: dirigir a Câmara de Sardoal, um pequeno município no limite norte do Ribatejo que se confronta com os custos da interioridade apesar de estar a pouco mais de uma hora de Lisboa. Inconformado com essa sina, critica a política governamental de encerramento de serviços e nem quer ouvir falar de agregação de municípios.

Não ter rede de telecomunicações no seu gabinete é um exemplo caricato e extremo dos custos da interioridade num concelho que fica a pouco mais de uma hora de Lisboa. Esse tipo de situações, próprias de um país a duas velocidades, indigna-o?Sem dúvida. É um facto que não temos rede da empresa com quem trabalhamos e por quem optámos por nos fazer um preço mais barato. O serviço não está a ser prestado com a qualidade que gostaríamos... Este é um bom exemplo da pouca atenção que tem sido dada ao interior do país.Ou de que, pelo menos, o interior ainda não está entre as prioridades destas empresas. E do próprio Estado também. Acho que o Estado devia olhar com mais atenção para as dificuldades de quem vive no interior. Tenho um lema há muitos anos: interioridade não é sinónima de inferioridade. Pelo contrário, até pode ser de qualidade. Tem é de haver uma acção concertada entre quem está no interior e o Estado e que se reconheça que quem está no litoral não deve ter mais direitos ou mais regalias do que quem vive no interior.É difícil fixar população quando há necessidades básicas nos dias que correm que ainda estão por suprir.Sim. Só há uma forma de fixar pessoas no interior que é criar postos de trabalho. E mesmo assim, com as acessibilidades que hoje existem, essa situação não é uma verdade absoluta. Mas, havendo trabalho para as pessoas, acredito que não haja a tentação de deslocar serviços públicos, como mais facilmente se tenta fazer neste momento. Os autarcas do interior estão unidos nesse combate e ainda recentemente apresentámos um protesto em conjunto com mais dois municípios contra a retirada de um serviço público.Como se sentiu, enquanto presidente de câmara, quando lhe fecharam a tesouraria da Segurança Social no seu concelho sem lhe dizerem nada? Não sentiu a sua autoridade ferida?Não tem sido isto que o Governo nos vem transmitindo. O que o Governo nos tem dito, e daí a minha indignação também, é que nada seria feito numa primeira fase sem se tentar encontrar uma alternativa com os municípios. O que não aconteceu.Exactamente. Há uma vasta delegação de competências do Estado atribuídas aos municípios. Então por que não mais algumas, para prestar um serviço de proximidade. Por que não tentar encontrar uma forma de os municípios em causa passarem a garantir esse serviço, em colaboração com a Segurança Social. Mas ainda mais importante do que o encerramento desse serviço foi terem-no feito sem nos dizerem alguma coisa. Porque em bom rigor a única coisa que agora não pode ser paga no nosso concelho são as coimas passadas pela Segurança Social. Aí, sim, as pessoas terão que se deslocar a uma tesouraria. Os restantes pagamentos podem ser feitos ao balcão de um banco ou através dos CTT.Ficou chateado com o Governo do seu partido por causa desta medida?Fiquei. Para além da posição expressa nesse comunicado conjunto com os presidentes de Constância e Vila Nova da Barquinha, na manhã seguinte recebi um telefonema do secretário de Estado da Segurança Social dizendo-me que estava solidário com esta situação e que ele próprio não teria conhecimento do que se estava a passar. Aliás, actualmente os restantes serviços da Segurança Social no Sardoal estão num edifício que é do município, porque há uns meses houve a tentativa de os deslocar para um município vizinho devido aos encargos com a renda. Perante isso, disponibilizámos uma casa de função para esse fim garantindo assim a continuidade desses serviços.Quando se fala numa possível agregação de municípios é difícil não pensar na integração de Sardoal no concelho vizinho de Abrantes. Como vê esse cenário?Não acredito que cheguemos a esse ponto. Demonstraria um desconhecimento enorme do que é a realidade do nosso interior. Se quisermos fazer uma discussão séria sobre esse assunto poderemos analisar a reorganização territorial. Por exemplo, temos freguesias do concelho de Abrantes que estão mais perto da nossa sede de concelho do que da sua sede concelho. Não estou a dizer que devemos anexar essas freguesias, o que acho é que deve ser feita uma análise séria, sem paixão, em relação a esta matéria. Há cada vez mais pessoas necessitadas na área social, na área da educação a quem damos apoio constante e que sabem a quem se dirigir, que por vezes nos batem à porta. * Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE.

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