Entrevista | 13-11-2016 16:00

Um correeiro que aprendeu a fazer chocalhos

Um correeiro que aprendeu a fazer chocalhos
EREIRA - CARTAXO

Artur Silva é correeiro e há cinco anos materializou o seu gosto pelos chocalhos com a fabricação desses artigos na sua oficina em Ereira.

Artur Silva, 47 anos, é filho e neto de correeiros e há anos que desejava que alguém ensinasse ao seu empregado, Bruno Varanda, a arte dos chocalhos para complementar o seu trabalho como correeiro. "Sempre tive uma paixão pelos chocalhos, falei com todos os chocalheiros que conhecia no país e disse-lhes que o punha a trabalhar durante um ano à borla para eles enquanto eu pagava o ordenado mas nenhum quis", conta.

Em 2011 conseguiu abrir a oficina na Ereira (Cartaxo) para os chocalhos com Feliciano Sim Sim. O alentejano de 34 anos vem de uma família de chocalheiros e trabalhava em Alcáçovas (Viana do Alentejo) depois de "chatear-se" com os ex-patrões. Pediu emprego a Artur e assim nasceu uma oficina de correaria e chocalhos. "Eu não sei fazer chocalhos, só sei vendê-los. Não tenho tempo para aprender porque faço a gestão da oficina, mas ajudo o Feliciano e o Bruno, embora não os saiba fazer de princípio ao fim", revela Artur.

Depois da classificação dos chocalhos como Património Cultural Imaterial da Humanidade, em Dezembro último, Artur sentiu uma maior divulgação e procura desses objectos mas não vê nenhum apoio ou subsídio a quem aposta nesses artigos que, na sua opinião, continuam a ser melhores que a tecnologia GPS. "O som tranquiliza os animais e os pastores continuam a preferir os chocalhos para localizar o gado. No norte os pastores mais novos continuam a utilizar muito os chocalhos", assegura.

* Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE.

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