Entrevista | 20-11-2016 10:01

Rui Mesquita pôs moçambicanos a pedalar

Rui Mesquita pôs moçambicanos a pedalar
O pai de Rui, Alberto Mesquita, foi este ano a Moçambique assistir a uma doação de bicicletas a crianças e professores do Município da Namaacha

Antes da Mozambikes, muitos moçambicanos caminhavam quilómetros por dia. Jovem de Alverca decidiu dar-lhes rodas. E a vida mudou, também para ele.

Chama-se Rui Mesquita, tem 36 anos e é o filho mais novo do presidente da Câmara de Vila Franca de Xira. Cresceu em Alverca e sempre apoiou o pai na vida política, apesar de nem ele, nem o irmão, Paulo, de 37 anos, terem seguido o mesmo caminho. "Não sou político, mas sigo as pisadas do meu pai na vertente comunitária", disse a O MIRANTE o fundador da Mozambikes.

Nascido e criado em Alverca, Rui sempre foi aventureiro e... teimoso. Levou algum tempo a convencer o pai de que não pretendia tirar a sua licenciatura em Marketing numa universidade de Lisboa. "Estudei em Santarém e tenho a certeza que foi a melhor decisão", revela.

E porquê abdicar da capital, quando o desejo da maioria dos alunos é ir estudar para Lisboa? A resposta sai-lhe hoje mais rápida e lúcida do que há quase 20 anos, quando tentou explicar a razão da sua escolha ao pai: "Queria estar num meio mais pequeno, onde os professores me tratassem pelo nome e não por um número. Tenho uma forma de me dar muito próxima às pessoas e hoje ainda falo com 40 por cento dos professores da faculdade, eles tratam-me pelo meu nome e eu pelo deles", confessa Rui Mesquita.

Dar. Retribuir. São estes dois verbos que estão na base do projecto que criou: fabricar bicicletas especiais _ que aguentem os caminhos de terra e de de mato moçambicanos _ e doá-las ou vendê-las às empresas que por sua vez as entregam às populações, sobretudo as que vivem nos meios mais rurais.

Rui não queria fazer caridade: "O objectivo era que fosse um projecto sustentável, por isso não optámos por fazer uma Organização Não Governamental (ONG) [que sobrevivem de fundos que quando acabam levam à extinção]. E quando fala no plural, é porque a ideia nasceu e cresceu à medida que foi nascendo e crescendo a sua relação com Lauren Thomas, uma norte-americana que chegou a Maputo no mesmo mês em que Rui aterrou em Moçambique, em Abril de 2008, meses depois deste ter visitado o país e assinado um contrato de dois anos para lançar uma empresa de telecomunicações. "Foi sempre a área em que trabalhei", revela.

* Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE.

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