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25/05/2017
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Entrevista | 26-03-2017 18:38
Façam de Abrantes uma cidade obrigatória de visitar"
ENTREVISTA
João Silva Tavares, nascido em Alferrarede em 1922, é uma figura bem conhecida em Abrantes. Farmacêutico e empresário foi também autarca e dirigente associativo.

O mais famoso farmacêutico de Abrantes completa 95 anos de idade em Agosto. João Dias da Silva Alves Tavares não é, decididamente, um homem vulgar. Além de ser o rotário que a nível nacional há mais tempo tem a missão de ser o elo entre o seu clube e a Fundação Rotária - já há 36 anos -, João Silva Tavares é considerado por aqueles que conhecem o seu trabalho como um "exemplo enriquecedor" no servir da comunidade.

Com um percurso profissional de reconhecimento indiscutível, sócio fundador do Rotary Club de Abrantes, ligado à atribuição de bolsas de estudo a estudantes do concelho, agarrou essa oportunidade à laia de resgate próprio "da bolsa que nunca me deram" o que o obrigou a quase seis anos de serviço na Marinha Portuguesa, durante a II Guerra Mundial, conta a O MIRANTE João Silva Tavares.

O que é que, aos 94 anos, ainda o faz levantar cedo da cama para ir trabalhar?

Ainda penso ser útil, e mesmo imprescindível, a minha presença no trabalho para que resulte um laboratório de acordo com as orientações postas em execução e de acordo com as opiniões expressas pelo meu filho Pedro e pelo meu neto Luís Tavares. É lógico que será finito.

Não consegue ver-se reformado?

Já me vou sentindo reformado. O que não me impede que ainda me perturbe o sono alguns factos inerentes a análises clínicas.

Tem-se adaptado com facilidade às novas tecnologias?

Vou trabalhando e girando com um computador para o serviço interno do laboratório. Mas para uso vulgar estou proibido de o utilizar porque dou muitos erros, segundo o mestre Luís Tavares que é o meu neto.

O que pensa dos jovens hoje passarem tanto tempo agarrados aos telemóveis?

Acho bem. Cada um brinca com o que lhe dão.

É uma testemunha privilegiada do século XX e início do século XXI em Abrantes. Olha hoje para a cidade e o que vê?

Nunca fui autarca. Apenas presidente de uma freguesia que já mataram. Tenho quase um século de vida e sem tentar agradar a gregos ou a troianos, os autarcas, em vez de aproveitarem um estudo, há anos projectado para a cidade e concelho, segundo suponho por um arquitecto paisagista alemão, deixaram o povo dar largas ao seu ideal e construir, construir, onde se podia pôr de pé um tijolo ou uma telha, na horta ou no quintal. Depois o que estiver mal, apaga-se, segundo a opinião de um autarca. A mim, deitaram a casa de meus pais para o lixo, depois de permitir que se incendiasse por duas vezes. Como se pode ter uma cidade se não se sabe guardá-la? Não basta gastar dinheiro para manter duas ou três lojas abertas. É preciso gente para essas lojas. Porque se deixa construir e não arranjar o que temos, mesmo que custe dinheiro? Fica a questão.

Abrantes tem tido autarcas à altura?

Não sou autarca, sou um velho que tem saudades da medida de leite que as vendedoras nos lançavam na praça quando passávamos pelo meio do mercado diário, onde hoje está a câmara municipal. Façam da cidade uma obrigação a visitar, com razão.

Que obra ou projecto destaca, pela positiva, na cidade?

Gostaria era de ver um acesso automóvel, como já existiu quando jovem, para visitar o castelo de Abrantes e a vista deslumbrante.

E há alguma obra que, por sua vontade, nunca seria feita?

Tomara ver obra feita de que se orgulhe a cidade! Não posso negar o que não vi nascer.

* Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE.

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